O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, afirmou que seu país não recebeu "aviso prévio de nossos aliados" acerca de um ataque com cinco mísseis balísticos russos que atingiu Kiev nesta madrugada. A afirmação ocorre após diversas reportagens na imprensa americana e europeia relatarem que os Estados Unidos haviam ameaçado cortar o fornecimento desse tipo de informação caso Zelenski não cessasse os ataques a refinarias russas. A repórteres, o presidente Donald Trump disse que "nós estamos ajudando e compartilhando inteligência". O compartilhamento de informações coletadas por satélites, sensores em estações terrestres e em aviões é um ponto central da ajuda ocidental a Kiev no conflito. Mesmo tendo suspendido o apoio militar e financeiro direto, Trump havia mantido esse fluxo.
França e Reino Unido, entre outros, também auxiliam os ucranianos, mas não têm a capacidade dos americanos. Esses dados permitem que a Ucrânia mantenha serviços de aviso por celular e na internet acerca da movimentação de bombardeiros russos e de lançamento de mísseis balísticos, gerando alertas em tempo real. De forma separada, num evento de segurança em Varsóvia, o chanceler ucraniano, Andrii Sibiha, disse que "essa cooperação continua", em resposta a repórteres acerca da ameaça americana. Seja como for, o ruído entre as autoridades explicita o confuso estado das coisas na guerra iniciada por Vladimir Putin em 2022.
Trump havia anunciado um cessar-fogo nos ataques mútuos ao sistema energético dos rivais. Antes, o americano havia fechado um acordo para a compra de diesel russo após um telefonema com Putin. O arranjo enfureceu Zelenski, que desde o primeiro semestre tem apostado numa bem-sucedida campanha de ataques com drones e mísseis a refinarias russas, que geraram uma crise de abastecimento no vizinho e obrigaram Putin a suspender a exportação de diesel e gasolina. O grosso desses derivados ia para Turquia, China e Brasil. Agora, Trump quer o diesel russo para si para tentar baixar o preço do produto nos EUA antes da eleição legislativa de novembro, em que seu Partido Republicano poderá perder o controle das duas Casas do Congresso. O preço dos combustíveis está alto devido à guerra de Trump contra o Irã, que desorganizou o comércio mundial de energia devido à obstrução do estreito de Hormuz, por onde passava um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo antes do conflito, iniciado no fim de fevereiro. A Rússia descartou nesta terça que o acordo tenha correlação com seus objetivos na Ucrânia. "Não há nenhuma conexão direta aqui. Na realidade, esta é uma área de cooperação russo-americana mutuamente benéfica", disse porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. Já Trump desconversou sobre o tema, dizendo que o acordo irá beneficiar outros países.
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