Monday, 08 de June de 2026
11/07/2022   14:38h - Justiça

Justiça decreta prisão preventiva de apoiador de Bolsonaro que matou a tiros tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu

A Justiça decretou a prisão preventiva do apoiador de Bolsonaro suspeito de assassinar tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. O anúncio foi feito em coletiva do Ministério Público do Paraná (MP-PR) na manhã desta segunda (11).

 

O crime foi na madrugada de domingo (10). Marcelo Aloizio de Arruda, de 50 anos, foi morto a tiros na própria festa de aniversário policial penal federal Jorge Guaranho.

 

Imagens de uma câmera de segurança externa registraram o momento em que um apoiador do presidente Bolsonaro discute com o tesoureiro do PT Marcelo Aloizio de Arruda, antes de matá-lo a tiros.

 

O promotor de Justiça Tiago Lisboa Mendonça informou que, a partir de agora, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) fará parte da equipe de investigações. Ele afirmou que alguns pontos cruciais precisam ser apurados.

 

"Vários pontos precisam ser esclarecidos. Qual razão ele esteve no local? Foi apurado de que ele era membro de uma associação da região. Em razão de que ele poderia estar ai fazendo rondas externas que eram feitas, mas é necessário apurar se dentro dessa ronda, ia até aquele ponto específico. [...] Outro motivo é se havia alguma indicação de que ali ocorria festa temática, música e afins. [...] Para a apuração talvez façamos a reprodução simulada dos fatos. [...] Querermos esclarecer os fatos, por qual razão esse crime bárbaro foi cometido e punir o responsável ou responsáveis," afirmou o promotor.

 

Sobre a prisão preventiva de Jorge, que permanece internado, o promotor informou que foi decretada na manhã desta segunda e que assim que o agente estiver em condições, será ouvido.

 

“Embora ele se encontre internado, pelo que levantamos ontem, [...] o estado de saúde dele é grave, mas não sei hoje. [...] mesmo na atual condição dele, ele teve a prisão decretada, e está em escolta da polícia militar e tão logo se reestabeleça, será ouvido. Uma audiência de custódia será realizada assim que ele estiver em condições e será ouvido no próprio processo penal.

 

O corpo de Arruda está sendo velado nesta segunda-feira (11) em Foz do Iguaçu.

 

Força-tarefa – A Secretaria da Segurança Pública do Paraná (SESP) divulgou nesta segunda-feira (11) que a delegada Camila Cecconello, chefe da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), presidirá o inquérito policial e já está em Foz do Iguaçu para cuidar do caso.

 

O promotor disse ainda que acredita muito no trabalho de investigação da delegada Lane Cardoso, que conduzia o caso. A secretaria não deixou claro se Lane irá fazer parte das investigações.

 

“Tem se levantado eventual posição política partidária da delgada, acho que isso não interfere em nada da investigação. As pessoas têm suas posições político partidárias, eventualmente elas externam ou não, mas isso não pode impedir que seja a delegada, juiz ou promotor, exerça com responsabilidade as suas funções”.

 

Como o crime aconteceu?

Segundo relatos de testemunhas e registro de câmera de segurança, Guaranho apareceu no local da festa pela primeira vez por volta das 23 horas. Ele estava de carro, acompanhado de uma mulher e um bebê.

 

O policial penal, então, de dentro do veículo, teria apontado sua arma para fora enquanto gritava palavras de apoio a Bolsonaro e ameaçava o aniversariante e seus convidados.

 

A mulher que acompanhava Guaranho, segundo relatos, teria pedido para ele parar e ir embora. Depois disso, o atirador chegou a dizer que voltaria e mataria "todos vocês, seus desgraçados". Ela tentou impedir os tiros, mas não conseguiu

 

Imagens de uma câmera de segurança externa registraram o momento em que Guaranho discute com o tesoureiro do PT.

 

O aniversariante, ao identificar a ameaça, pegou a própria arma. "O Marcelo falou assim: 'se esse maluco volta, eu vou pegar minha arma'", relatou uma testemunha.

 

Cerca de quinze minutos depois, Guaranho retornou ao local, sozinho, e deu início aos disparos ainda ao lado de seu carro.

 

Repercussão – Políticos e autoridades comentaram no último domingo (10) o assassinato do guarda municipal e tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu (PR). Jair Bolsonaro (PL), Lula (PT), Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB), André Janones (Avante), e outros pré-candidatos à Presidência da República falaram sobre o crime.

 

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