quinta, 23 de abril de 2026
19/01/2026   17:20h - Justiça

Justiça condena dois réus do Massacre do Compaj a mais de 100 anos de prisão em primeiro julgamento

A 2.ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus publicou, na quinta-feira (15/01), a sentença condenatória de Anderson Silva do Nascimento e Geymison Marques de Oliveira, réus no primeiro de uma série de 22 processos que apuram responsabilidades pelo massacre ocorrido no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em 1.º de janeiro de 2017. O episódio resultou na morte de 56 detentos e é considerado um dos mais graves da história do sistema prisional brasileiro.


O julgamento ocorreu entre os dias 9 e 13 de dezembro de 2025. Anderson Silva do Nascimento foi condenado a 109 anos e 10 meses de prisão, enquanto Geymison Marques de Oliveira recebeu a pena de 111 anos e nove meses de reclusão, conforme decisão do Tribunal do Júri.


O processo, de número 0211356-90.2018.8.04.0001, foi presidido por um colegiado composto por três magistrados e contou com a atuação de três promotores de Justiça designados pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE/AM). Durante o julgamento, Anderson Silva do Nascimento participou presencialmente no Fórum de Justiça Ministro Henoch Reis, por já estar preso no sistema prisional da capital. Já Geymison Marques de Oliveira acompanhou a sessão por videoconferência, uma vez que respondia ao processo em liberdade.


Com a condenação, a 2.ª Vara do Tribunal do Júri expediu mandado de prisão contra Geymison Marques de Oliveira.


Os réus foram condenados pela prática de homicídio qualificado em 56 ocasiões, com agravantes de motivo torpe — relacionado à disputa entre facções criminosas —, meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas. Também pesaram contra eles as condenações por tentativa de homicídio, vilipêndio de cadáver (45 vezes), em razão de atos de esquartejamento e decapitação, tortura praticada antes das mortes e organização criminosa, pela atuação estruturada dentro de facção criminosa.


Este julgamento marca o início da análise judicial dos crimes relacionados ao Massacre do Compaj. De acordo com o Tribunal de Justiça do Amazonas, os 21 processos restantes devem ser pautados pela 2.ª Vara do Júri ao longo do ano de 2026.

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