O mês de julho é marcado por uma importante campanha de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, o chamado "Julho Verde". Com a estimativa de 40 mil novos casos anuais dessa doença no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a iniciativa busca alertar a população sobre a prevenção, detecção precoce e tratamento desse tipo de câncer, que pode impactar profundamente a vida dos pacientes.
Entendendo o Câncer de Cabeça e Pescoço
De acordo com a Dra. Najla Pinheiro, especialista em oncologia, o câncer de cabeça e pescoço inclui tumores que surgem nas regiões da cabeça e pescoço, como a tireoide, boca, garganta, laringe, faringe, paratireoides, glândulas salivares e região sino-nasal. “Os principais sintomas são o aparecimento de nódulos no pescoço, manchas brancas ou avermelhadas na boca, feridas que não cicatrizam por mais de duas semanas, dificuldades para deglutir, alteração na voz e rouquidão por mais de 15 dias”, alerta a doutora.
Dra. Najla destaca a importância de procurar um médico diante de qualquer uma dessas alterações, já que esses sinais podem também estar presentes em doenças benignas. “A detecção precoce dessas lesões aumenta a chance de cura para até 90%”, afirma.
Fatores de Risco e Prevenção
O tabagismo e o consumo de álcool são apontados como os principais fatores de risco para o desenvolvimento desse tipo de câncer. Além disso, a doutora ressalta que a adoção de um estilo de vida saudável pode reduzir significativamente o risco de desenvolvimento da doença. "As principais medidas de prevenção incluem uma alimentação saudável, atividade física regular, higiene bucal adequada, evitar o consumo de álcool e tabagismo, além da vacinação contra o HPV", explica a especialista.
Outra ferramenta importante na prevenção é o autoexame da boca, que pode ser realizado por qualquer pessoa. “É importante procurar lesões avermelhadas ou esbranquiçadas que não cicatrizam por mais de duas semanas, sinais de sangramento, lesões labiais, caroços no pescoço ou na região da boca e áreas irritadas abaixo das próteses”, orienta Dra. Najla.
Avanços no Tratamento e Importância do Suporte ao Paciente
Nos últimos anos, o tratamento para o câncer de cabeça e pescoço evoluiu significativamente. Segundo Dra. Najla Pinheiro, o tratamento é multidisciplinar, envolvendo cirurgiões, radioterapeutas, oncologistas clínicos e, mais recentemente, imunoterapeutas. “A imunoterapia tem aumentado as taxas de resposta e as chances de cura”, explica.
A reabilitação e o suporte psicológico também são essenciais para os pacientes que passaram por esse tipo de tratamento. “É importante oferecer apoio psicológico e, no caso de cirurgias mais amplas, reabilitação oral para melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, diz a doutora.
Desafios na Conscientização e Impacto da Pandemia
Apesar dos avanços, ainda há desafios significativos na conscientização sobre a doença. "Os profissionais de saúde enfrentam barreiras importantes relacionadas à falta de conhecimento sobre a patologia", observa Dra. Najla. Ela destaca a importância de campanhas como o "Julho Verde" para disseminar o conhecimento e aumentar as taxas de detecção precoce.
A pandemia de COVID-19 também impactou o diagnóstico e tratamento de pacientes com câncer de cabeça e pescoço, atrasando procedimentos e tratamentos essenciais. "É crucial que retomemos o foco na conscientização e no tratamento adequado desses pacientes", enfatiza a doutora.
Inovações na Pesquisa e Envolvimento da Sociedade
Há avanços promissores na pesquisa sobre o câncer de cabeça e pescoço, incluindo novos métodos de diagnóstico e tratamentos mais eficazes. Dra. Najla acredita que a sociedade pode desempenhar um papel crucial na conscientização e apoio a pacientes, promovendo o diálogo aberto sobre a doença.
“É importante que o câncer de cabeça e pescoço não seja um tabu. É uma doença totalmente curável se diagnosticada precocemente, e o autoexame da boca pode ser uma ferramenta poderosa na detecção precoce”, conclui a doutora.
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