Donos de uma linda história através das artes, frutos do amor dos artistas Juarez Lima e Irlani Lima, Thyago Lima e Juarez Lima Filho não possuem a palavra “desistir” em seus dicionários. Os dois que perderam seus pais, artistas consagrados de Parintins, no Amazonas, precisaram superar o luto e continuar. O resultado disso vem através de grandes palcos, carros alegóricos e até a imagem de Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Parintins, em uma viagem de peregrinação que já é considerado o caminho mais longo em rios da América Latina.
Nascido de uma promessa de Juarez Lima a Nossa Senhora do Carmo a saúde do amigo Jair Mendes, a Romaria das Águas já percorre por mais de dez anos, todos os anos, os rios Negro e Amazonas em direção a Parintins. Uma viagem que dura quase duas horas, passando por diversas comunidades. A fé e a arte se cruzam com um traço passado para as próximas gerações e agora, pela responsabilidade dos irmãos Lima.

O On Jornal entrevistou essa semana os artista Thyago Lima e Juarez Lima, produtores da Romaria das Águas, que leva uma imagem e público de Manaus até Parintins, durante os eventos de comemoração da padroeira da ilha tupinambarana, além de idealizadores de palcos como o #SouManaus Passo a Paço, o Parque Sumaúma em Manaus, entre outros trabalhos como composições e melodias.

ON JORNAL: Quando foi que vocês decidiram ser artistas como o pai e vocês? Foi algo natural ao ver ele sempre fazer aquilo?
THYAGO LIMA: Eu acho que nunca existiu exatamente um momento em que eu parei e decidi: “vou ser artista”. Foi algo muito natural. Eu cresci dentro desse universo, vendo meu pai criar, desenhar, construir e transformar ideias em coisas grandiosas. A arte fazia parte da nossa casa e da nossa rotina.
Desde criança, eu acompanhava aquele processo e fui absorvendo muita coisa sem perceber.
JUAREZ LIMA FILHO: Acho que comigo aconteceu de uma forma muito natural, mas por um caminho diferente do meu pai e até do Thyago. Eu cresci dentro da arte. Nossa casa sempre respira arte. Nosso pai estava sempre criando, desenhando, construindo alguma coisa. Então, mesmo sem perceber, a gente foi desenvolvendo esse olhar. Mas eu nunca fui o cara da parte técnica do desenho ou do projeto. O Thyago desenvolveu muito mais esse lado. O meu caminho artístico apareceu muito através da música, da composição, do Boi-Bumbá e, depois, da produção cultural.
OJ: Quais são as principais funções de cada um de vocês na entrega dos trabalhos e como recebem a contribuição de outros artistas?
JLF: Hoje nossas funções são bastante complementares. O Thyago é o designer. É ele quem desenvolve os projetos e lidera a parte artística dos nossos trabalhos. Além disso, ele também tem uma atuação muito importante na articulação e no relacionamento com empresários, políticos e parceiros.
Eu fico muito mais ligado à parte de logística, gestão, apresentação e roteiro. Gosto de pensar como aquele projeto vai funcionar na prática, como vai ser apresentado, como as coisas vão acontecer e como vamos organizar tudo para chegar à entrega final.
ON: Como foi depois da morte dos seus pais continuar esse legado? Quem assumiu esse papel e o que eles ensinaram?
TL: Continuar depois da partida dos nossos pais talvez tenha sido uma das coisas mais difíceis que já enfrentamos. Porque você não perde somente pai e mãe; perde duas referências que estavam presentes na vida, nas decisões, no trabalho e na construção de tudo.
Meu pai, Juarez Lima, deixou para nós uma escola artística enorme. Ele ensinou muito mais pelo exemplo do que pelas palavras: criatividade, coragem para fazer coisas diferentes, capacidade de encontrar soluções e, principalmente, respeito pela arte e pelas pessoas que trabalham com ela.
E minha mãe, Irlani, mesmo não estando necessariamente pintando ou esculpindo, tinha um papel fundamental. Ela estava ali dando suporte, opinião, organizando, incentivando e muitas vezes sendo o equilíbrio de tudo. Depois que eles partiram, nós tivemos que amadurecer e assumir responsabilidades que antes eram divididas com eles.
Ninguém consegue substituir pai e mãe. O que a gente tenta fazer é carregar um pouco daquilo que cada um deixou. Hoje, quando tomo uma decisão importante ou termino um projeto, muitas vezes me pergunto o que eles pensariam daquilo. De certa forma, eles continuam participando através de tudo aquilo que nos ensinaram.
OJ: A religião e a fé de certa forma é agora o principal tema de foco do trabalho de vocês? É uma forma de se aproximar dos pais de vocês?
TL: A fé sempre esteve muito presente na nossa família e hoje ela ganhou um significado ainda maior para mim. Principalmente através de Nossa Senhora do Carmo.
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JLF: Eu acredito que a fé acaba sendo um elo: com nossos pais, com a nossa história e também com aquilo que queremos construir daqui para frente.
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