O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) é uma autarquia federal que atua na proteção do meio ambiente e dos recursos naturais.
As principais atividades do Ibama são:
Na Amazônia, a instituição tem desafios diferentes das outras regiões do Brasil, e para entender melhor com funciona as ações na Região Norte, o ON Jornal conversou com exclusividade, com o superintendente do Ibama no Amazonas, Joel Araújo, que atualizou sobre o trabalho do órgão. Confira.
ON Jornal- Quais são as principais estratégias e operações que o IBAMA tem adotado recentemente para conter o avanço do desmatamento no Amazonas?
Joel Araújo- Bem, o IBAMA tem uma série de estratégias pra combater o desmatamento, a principal delas é a realização de operações de fiscalização. Essas operações são planejadas a cada ano, no final do ano, pra ser executado no ano seguinte e tem uma diversidade de operações que somadas, resultam na queda do desmatamento. A primeira dessas ações é GCDA (Grupo de Combate ao Desmatamento na Amazonia). Um grupo que trabalha diretamente do desmatamento.
A funciona assim: as equipes vêm, ficam 19 dias trabalhando no combate os desmatamentos e aí depois desse período, mudam as equipes. Com isso, conseguimos obter um resultado incansável e de êxito.
ON Jornal- Como o órgão tem atuado na fiscalização e apreensão de madeira extraída ilegalmente? Existe uma estimativa da quantidade de madeira apreendida nos últimos anos?
Joel Araújo- Estamos com a Operação Metaverso que trabalha contra a exploração de madeiras ilegais, que engloba a fiscalização que exploram de forma fraudulenta a madeira e de serrarias, que é uma atividade de corrobora para o desmatamento.
Além disso, a operação Controle Remoto, que realiza autuações remotas e embargos remotos. Ela acontece em Brasília-DF e em outras sedes. Temos muito sucesso nessas ações.
ON Jornal- De que forma o IBAMA trabalha em conjunto com outras instituições para garantir a proteção dos territórios indígenas contra invasões e crimes ambientais?
Joel Araújo- Temos grandes operações de desintrusão de terras indígenas, obedecendo as decisões da Justiça Federal. Fizemos em várias terras, mas no caso da terra yanomami, foi bem incisivo. Nesses dois anos de trabalho intensivo lá, com foco em 2024, nós reduzimos em 95% os focos de desmatamento naquela terra indígena.
Além disso, a Operação Retomada que é de apreensão de gado em áreas embargadas e a pressão de gados onde não há a possiblidade de licenciar, como por exemplo, em terras indígenas.
ON Jornal- Quais os desafios enfrentados no combate ao garimpo ilegal na região e como o IBAMA tem atuado para impedir a destruição dos rios e da floresta?
Joel Araújo- Nós temos operações de fiscalização ambiental, temos as operações que são de combate direto ao garimpo, que você vê aí quando há destruição de dragas aí pelo estado do Amazonas ou em outras regiões do Brasil, porque tem uma diferença entre o garimpo que ocorre no Pará, o garimpo que ocorre no Amazonas, mas enfim, operações de fiscalização.
E nós temos outras operações também de combate ao comércio ilegal de mercúrio, também que colabora ali para evitar que o mercúrio chegue nas áreas de garimpo. E agora nós estamos iniciando um trabalho focado no comércio ilegal de combustível, que também é um dos produtos que fomentam o garimpo.
ON Jornal- Apreensão de Aves Silvestres: Quais são as principais espécies de aves silvestres apreendidas no Amazonas e quais os destinos desses animais após a apreensão?
Joel Araújo- Infelizmente, as espécies que são mais atacadas, que sofrem mais crimes ambientais são os psitacídeos, são as espécies de papagaios e araras. Elas são objeto principalmente da matança para uso das penas. Criou-se uma cultura no nosso estado de comércio de artesanato com partes de animais silvestres, particularmente penas. Então, isso acarreta uma matança desses animais na floresta.
E aí está ocorrendo isso, o comércio desenfreado de artesanatos feitos com penas. E essas penas resultam na matança desses animais. A gente faz, inclusive, um apelo para a sociedade deixar de consumir artesanatos feitos com partes de animais silvestres.
ON Jornal- Parcerias e Apoio: O IBAMA tem recebido apoio suficiente de outros órgãos governamentais e da sociedade civil para combater esses crimes ambientais? O que ainda precisa ser aprimorado?
Joel Araújo- Olha, o IBAMA, ele depende apenas do governo federal que o mantém, do Ministério do Meio Ambiente. Mas nós temos alguns parceiros que são de primeira ordem. Temos a Polícia Ambiental, a Polícia Federal, o Exército, a Marinha, a FAB, a Polícia Civil, o ICMB, a FUNAI, a PRF. Esses são os principais parceiros que nos ajudam.
A Sociedade Civil nos ajuda em algum aspecto, colaborando, denunciando, trazendo as informações. E, de outra forma, em muitos aspectos tem atacado o IBAMA, tem agredido o IBAMA, os seus servidores, de diversas formas. Mas faz parte da crítica da sociedade e a gente tem que saber lidar com isso e continuar fazendo aquilo que é certo do ponto de vista técnico e legal.
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