Dados do anuário do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na última semana, apontaram Jequié como a cidade do Brasil com maior a média de mortes violentas proporcional à sua população em 2022, com 88,8 mortes para cada 100 mil habitantes. Ao todo, foram 141 assassinatos.
Localizada no sudoeste da Bahia, Jequié tem 158 mil habitantes, é cortada por duas importantes rodovias e abriga um presídio de médio porte. Tem uma geografia complexa, com vales que se erguem no entorno do rio de Contas e casas construídas de forma improvisada nos morros.
O tráfico de drogas ganhou corpo na cidade, de forma rudimentar, a partir dos anos 1990. Mas tomou uma arquitetura complexa na última década ao ser dominada pelo traficante Sandro Santos Queiroz, conhecido como Real, ligado à facção Comando Vermelho.
Em abril de 2022, houve um racha no grupo criminoso, e dissidentes se aliaram a PCC (Primeiro Comando da Capital). A cisão foi o início de uma guerra por territórios, incluindo a circulação em grupos de WhatsApp de listas com os alvos das facções.
A disputa se refletiu nas mortes violentas na cidade. Foram 57 em 2020, número que subiu para 85 em 2021 e atingiu seu pico em 2022, com 141 mortes. A média de idade das vítimas é de 26 anos.
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