O governo do Japão autorizou oficialmente a importação de carne bovina desossada e língua oriundas das zonas do norte da Argentina que são livres de febre aftosa com vacinação. A medida põe fim a uma disputa diplomática e sanitária iniciada em 2006 e libera a entrada da proteína argentina produzida em todo o território nacional no mercado japonês. Até então, desde 2018, apenas a região sul do país sul-americano, reconhecida como livre da doença sem vacinação, mas com volume produtivo reduzido, tinha autorização para exportar aos japoneses.
As negociações avançaram após o Comitê de Sanidade Animal do Japão concluir que o risco de transmissão do vírus via carne desossada do norte argentino é extremamente baixo sob as salvaguardas estabelecidas. Celebrada pelo ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, a decisão permitirá que os embarques comecem assim que inspetores japoneses realizarem uma auditoria técnica nos frigoríficos interessados para concessão das habilitações. O acesso é visto como uma conquista estratégica para a Argentina, permitindo a entrada em um destino global cujas compras de carne bovina superam US$ 3 bilhões ao ano.
A abertura do mercado asiático ocorre em um momento favorável para o setor frigorífico argentino, impulsionado pela valorização das cotações internacionais. No primeiro semestre de 2026, as exportações do país atingiram 411,71 mil toneladas de carne bovina, registrando um faturamento de US$ 2,20 bilhões, uma alta de 44,7% em receita em comparação ao mesmo período do ano anterior. Para 2027, projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam para uma produção argentina de 3,14 milhões de toneladas, mantendo o volume exportável em cerca de 800 mil toneladas.
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