Monday, 08 de June de 2026
24/03/2024   17:40h - Polícia

Irmãos Brazão são os mandantes da morte de Marielle, afirma a Polícia Federal

A Polícia Federal (PF) concluiu que os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão contrataram o ex-policial militar Ronnie Lessa para assassinar a vereadora Marielle Franco em 2018. Na mesma ocasião, o motorista dela, Anderson Gomes, também foi morto.

 

Essa conclusão foi apresentada no relatório final da investigação, que foi divulgado após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo do inquérito.

 

Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, e Chiquinho Brazão, deputado federal, foram presos hoje de manhã por ordem de Moraes.

 

De acordo com a PF, o assassinato de Marielle está relacionado à oposição política da vereadora aos interesses do grupo liderado pelos irmãos Brazão. Esse grupo tem ligações com questões fundiárias em áreas controladas por milícias no Rio.

 

No relatório, os investigadores detalham que o plano para assassinar Marielle contou com a participação de Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio. Segundo a PF, Rivaldo “planejou meticulosamente” o crime. Barbosa também foi preso na operação desta manhã.

 

O relatório afirma que é inquestionável que Rivaldo Barbosa criou um verdadeiro esquema de corrupção na diretoria de divisão de homicídios, envolvendo a manipulação deliberada ou direcionamento de investigações para pessoas que eram conhecidas por serem inocentes. Ele negociou com contraventores, milicianos e, como evidenciado neste caso, políticos, visando benefícios financeiros e políticos.

 

Planejamento

 

Durante as investigações, a Polícia Federal (PF) analisou evidências e os depoimentos dos ex-policiais Ronnie Lessa e Elcio Queiroz para esclarecer os primeiros passos do planejamento do assassinato.

 

De acordo com o relatório, as negociações ocorreram secretamente, em encontros rápidos em locais isolados. A primeira reunião aconteceu em 2017, quando os irmãos Brazão contrataram Edmilson Macalé, identificado como um miliciano atuante na Zona Oeste do Rio e próximo aos mandantes.

 

Em seguida, Macalé convidou Ronnie Lessa para participar da operação criminosa, e as armas e veículos utilizados no crime foram providenciados.

 

“Com base na proposta apresentada, Macalé convidou Ronnie Lessa, um conhecido sicário carioca, para participar da empreitada criminosa. Lessa, atraído pela perspectiva de se tornar um miliciano com influência em uma vasta área territorial, aceitou o convite, e ambos se encontraram na primeira reunião com os irmãos”, detalhou a investigação.

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