O regime iraniano intensificou a repressão ao prender diversas figuras de destaque do campo reformista, em meio a um cenário de protestos massivos e violenta repressão no país. Entre os detidos estão líderes políticos e ex-integrantes do governo ligados à corrente reformista, acusados de organizar ações para desestabilizar a ordem política e social. As prisões indicam que a ofensiva do regime já não se limita a manifestantes e opositores explícitos, mas atinge também setores tradicionalmente integrados ao sistema.
As detenções ocorreram após a divulgação de um áudio atribuído ao político Ali Shakouri-Rad, no qual ele sugere que as forças de segurança teriam provocado o estopim dos protestos e perdido o controle da situação. Ele também teria defendido que o líder supremo, Ali Khamenei, delegasse poderes ao presidente Masoud Pezeshkian. As declarações geraram forte reação do Judiciário e de setores mais radicais do regime, que acusam os reformistas de sedição e traição.
O episódio evidencia o declínio do reformismo iraniano, que perdeu apoio popular após anos de frustrações e acusações de conivência com o sistema. Sob pressão interna e externa, o regime parece caminhar para uma fase mais centralizada e securitária, reduzindo ainda mais o espaço para disputas políticas internas e temendo possíveis articulações por uma transição conduzida a partir de dentro do próprio sistema.
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