O auge da inteligência artificial (IA) não perdoa o Festival de Cannes, onde se fala desta tecnologia nos corredores do Mercado do Cinema, ainda que alguns roteiristas a vejam como uma ameaça para a criatividade. Como exemplo da polêmica, em várias grandes produções, a IA se converte em um dos vilões. Em 'Missão: impossível - O Acerto Final', que não está competindo, o agente Ethan Hunt (Tom Cruise) passa quase três horas lutando contra uma IA maligna e fora de controle cujo objetivo é erradicar a humanidade. Outro filme, 'Dolloway', do francês Yann Gozlan, conta a história de uma escritora (Cécile de France) incapaz de escrever há seis anos, e que participa de uma oficina de escritores de prestígio para encontrar inspiração. Para escrever seu livro, a autora utiliza uma IA generativa, cada vez mais invasiva, que leva a protagonista a colocar em dúvida as suas intenções. Neste terror psicológico, Gozlan se pergunta sobre o impacto da tecnologia na criação. "Será uma ferramenta que acabará nos escravizando e nos substituindo? É realmente preocupante", disse. No filme, "a personagem se torna extremamente viciada em sua IA e se vê em uma situação em que praticamente não consegue mais escrever sem Dalloway (o nome da IA)".
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