A Museus e Monumentos de Portugal deu início ao processo oficial para classificar a pintura “Descida da Cruz”, de Domingos António de Sequeira, como um bem de interesse nacional, o chamado “tesouro nacional”. A decisão, publicada em Diário da República, visa garantir a proteção jurídica e a valorização da obra datada de 1827. Com o procedimento aberto, o quadro passa a ter salvaguardas que impedem sua exportação definitiva, permitindo saídas do país apenas sob autorização especial para fins científicos ou culturais.
?A obra, realizada pelo artista durante seu exílio em Roma, retornou a Portugal em 2024 após ser adquirida pela Fundação Lello em uma feira de arte nos Países Baixos. A compra encerrou um período de intensa polêmica iniciado em 2023, quando órgãos do governo anterior autorizaram a saída da pintura do território nacional. A decisão da época gerou fortes protestos de especialistas e do Conselho Internacional de Museus (ICOM), que consideraram a permissão de venda ao estrangeiro um prejuízo ao patrimônio artístico do país.
?Atualmente em exposição no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, a tela é considerada uma peça fundamental do período tardio de Sequeira, integrando um conjunto de quatro pinturas religiosas de grande relevância histórica. A classificação como tesouro nacional reforça o compromisso do Estado e de entidades privadas com a preservação da identidade cultural portuguesa. Este processo segue o exemplo da “Adoração dos Magos”, outra obra do mesmo núcleo, que já possui o status de proteção máxima desde 2022.
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