Dois cidadãos chineses capturados por forças ucranianas afirmaram que se alistaram no Exército russo após serem influenciados por vídeos atraentes no Douyin — a versão chinesa do TikTok. Wang Guangjun, de 34 anos, ex-terapeuta ocupacional, e Zhang Renbo, de 27, ex-bombeiro, deram um longo depoimento à imprensa internacional em Kiev. Ambos alegam que foram enganados por promessas de trabalho longe do front e expuseram como o imaginário popular chinês sobre a vida militar e a retórica de amizade com a Rússia contribuíram para suas decisões.
Segundo Wang, a crise econômica causada pela pandemia o deixou vulnerável a propostas tentadoras nas redes sociais, onde vídeos glorificavam o poderio militar russo e prometiam funções de apoio médico. Zhang, por sua vez, viajou a Moscou supostamente para atuar na construção civil, mas foi transferido para o front após poucos dias de treinamento. Os dois denunciaram que perderam o controle de seus destinos assim que assinaram o alistamento, sendo enviados diretamente para zonas de combate em Donetsk.
Durante a coletiva, Wang fez um apelo direto a seus compatriotas: “Não participem desta luta.” O episódio lança luz sobre uma nova dimensão da guerra — a do recrutamento transnacional movido por desinformação nas redes sociais. Enquanto a Ucrânia estima que mais de 150 chineses estejam lutando ao lado da Rússia, Pequim rebateu as declarações como “irresponsáveis” e reafirmou sua posição oficial de que cidadãos chineses devem se manter afastados de áreas de conflito armado.
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