As vacinas contra a covid-19 para crianças foram bastante aguardadas pelos brasileiros, que perderam seus amigos e parentes. No Brasil foram mais de 23 milhões de casos e mais de 600 mil óbitos, conforme os dados do Ministério da Saúde entre 2020 e 2021.
Após quase dois anos de pandemia, no dia 17 de janeiro de 2022, o Amazonas iniciou o esquema de vacinação para crianças de 5 a 11 anos, dando alívio para alguns pais. Mas também gerou receio e preocupação para outros.
Em meio a tantas dúvidas que cercam mães, pais, tios e avôs sobre a vacinação de suas crianças, ON Jornal conversou com a médica infectologista Marta Ramalho que trabalha na Hapvida. Confira:
ON Jornal: Sabemos que o frasco para menores tem uma cor diferenciada, mas existe alguma diferença na composição ou no processo de fabricação das vacinas para crianças?
Marta Ramalho: Existem diferenças importantes entre as vacinas atualmente utilizadas para crianças entre 5 e 11 anos. No caso da vacina da Pfizer/ Biontech, o imunizante tem dosagem e composição diferentes da que é utilizada na dose para os maiores de 12 anos. A vacina para crianças é aplicada em duas doses de 0,2 ml. A tampa do frasco da vacina tem a cor laranja, para facilitar a identificação pelas equipes de vacinação e pelos responsáveis. A vacina Coronavac, cuja plataforma é de vírus inativados, foi aprovada recentemente pela ANVISA para uso em crianças e a dose a ser aplicada em crianças é igual à utilizada em adultos.
ON Jornal: Mesmo com o número de casos em crianças ser baixo, assim como o número de óbitos, é possível o vírus da covid se tornar mais forte e alavancar as infecções nas crianças?
Marta Ramalho: A questão central neste momento é o imenso poder de disseminação da variante ômicron. Essa variante causa adoecimento mais brando por sua própria característica e ainda porque, felizmente, encontra uma alta proporção de vacinados em nosso país.
O número de casos de covid19 em crianças não é baixo, mas as pessoas dessa faixa etária costumam ter sintomas mais brandos e frequentemente nem são testadas.
As crianças já apresentavam uma taxa de adoecimento menor em relação a outras faixas etárias, porém, até 07/01/2022, o Brasil somava 1.449 mortes de meninos e meninas de até 11 anos em decorrência do novo coronavírus e mais de 2.400 casos da Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) associada à Covid-19. Esses números mostram que o problema não é tão pequeno assim.
Quanto ao potencial de surgir uma variante mais agressiva do SARS-CoV2, somente o tempo poderá dizer. E para cada batalha, precisamos redesenhar as armas a serem usadas!
ON Jornal: Quais os mecanismos científicos que fazem as vacinas da Covid serem seguras?
Marta Ramalho: Os estudos de segurança das vacinas em crianças mostram que estas vacinas são muito seguras e que o risco de evento adverso mais grave é bastante raro. Estudos de eficácia da vacina da Pfizer indicam cerca de 90% de proteção contra infecção sintomática pelo covid. Por outro lado, o risco de efeito adverso grave é bastante raro (por exemplo, cerca de 1 caso de miocardite grave por 600.000 doses aplicadas em menores de 19 anos).
ON Jornal: É possível que a vacinação seja feita para crianças menores de 5 anos ou elas não precisam?
Marta Ramalho: Na opinião da vasta maioria dos estudiosos e especialistas em imunização, a vacina contra a covid irá ser expandida, após estudos de eficácia e segurança, para faixas etárias mais jovens, que são justamente as crianças que têm maior risco de síndrome respiratória aguda grave. Mas, neste momento, ainda precisamos aguardar a conclusão dos estudos.
ON Jornal: Que tipo de reações a vacina pode causar nas crianças?
Marta Ramalho: A maior parte das crianças que tiverem sintomas relacionados à vacina com a vacina da Pfizer terá dor no local da injeção. Algumas crianças poderão ter calafrios, dor de cabeça e sensação de fraqueza; estes sintomas são leves a moderados e, habitualmente, passam em 24 a 48 h. Essas reações parecem ser mais frequentes após a segunda dose. Muitos pais têm medo da vacina pelo risco de miocardite, porém esta costuma ser leve, transitória e evolui sem sequelas. O risco de miocardite pela infecção natural pelo SARS-CoV2 é muito superior ao risco oferecido pela vacina.