Tuesday, 09 de June de 2026
17/05/2021   14:25h - Meio Ambiente

Indígenas sofrem com alta de garimpos, desmatamento e covid

 A escalada de violência em terras indígenas tem ganhado força pelo País, com o avanço do desmatamento, grilagem terras e garimpo ilegal. Os episódios ocorridos nesta semana em Roraima, onde garimpeiros armados dispararam balas de fuzil contra o povo Yanomami, se somam às evidências do recrudescimento das invasões em áreas demarcadas. Nas margens do Rio Tapajós, no Pará, onde vivem mais de 14 mil indígenas das etnias munduruku e apiaká, os crimes na floresta têm acelerado a contaminação das águas e a proliferação de doenças entre os indígenas, como malária e covid-19.

O desmatamento na região em 2020 supera o volume já alarmante de 2019, quando 1.835 hectares de floresta foram perdidos na terra indígena Munduruku. Já na terra Sai Cinza, que é vizinha da primeira, houve explosão de desmatamento, saindo de 16 hectares em 2019 para 304 hectares no ano passado.

Com o avanço dos madeireiros e do garimpo, vieram as doenças sobre as aldeias. Os dados do estudo O cerco do ouro: garimpo ilegal, destruição e luta em terras Munduruku mostram que, em menos de um ano, 31 indígenas morreram de covid-19 nas aldeias, entre homens, mulheres e crianças. Surtos de malária também se espalharam pelas aldeias, além da contaminação crescente por ingestão de mercúrio.

O material, usado ilegalmente para extrair o ouro de outros sedimentos, tem contaminado as águas utilizadas pelos índios. A exposição ao metal ocorre, principalmente, com a alimentação por peixes. Estudo publicado em 2020 pela Fiocruz e o WWF Brasil no médio Tapajós detectou níveis de mercúrio em todos os indígenas pesquisados. De cada dez participantes da pesquisa, seis apresentaram níveis de mercúrio no corpo acima de limites seguros.

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