O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) determinou, por meio do Licenciamento Ambiental Federal, a proteção e o monitoramento de ninhos da harpia (Harpia harpyja) em áreas de mineração da Vale S.A. nos mosaicos de Unidades de Conservação de Carajás, no Pará. A medida foi adotada após a identificação de filhotes em locais previstos para supressão de vegetação, o que levou o órgão a considerar urgente a criação de protocolos específicos para a conservação da espécie.
Classificada como vulnerável pelo ICMBio e pela IUCN, a harpia enfrenta ameaças como perda de habitat, caça e grandes empreendimentos de infraestrutura. A Amazônia de terras baixas concentra mais de 90% da distribuição da espécie, sendo seu principal reduto. Estudos indicam que a supressão de vegetação é a maior ameaça à sua conservação na região de Carajás, onde casais demonstram forte fidelidade aos territórios de nidificação, geralmente em castanheiras.
O monitoramento, realizado com apoio do Projeto Harpia, utiliza tecnologias como GPS e sistemas de vídeo para acompanhar adultos e filhotes. Dados iniciais mostram grandes áreas de uso ao redor dos ninhos e permanência prolongada dos filhotes nas proximidades.
Diante das lacunas de conhecimento sobre os impactos da mineração, o Ibama passou a exigir que todas as licenças na região incluam programas específicos de proteção e acompanhamento das áreas de nidificação, visando garantir a sobrevivência da maior ave de rapina do Brasil.
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