Existem pessoas que gostam e preferem viver em isolamento em um nível quase zero de interação social. No Japão, existe um termo específico para isso: hikikomori. Esse termo foi criado ainda na década de 90, quando a juventude japonesa enfrentava grandes dificuldades para conseguir e manter um emprego formal. A “Ice Age” afetou uma geração inteira, que hoje tem entre 30 e 40 anos e nunca conseguiu se inserir formalmente no mercado de trabalho.
O resultado desse fenômeno social foram grandes marcas psicológicas nessa geração. Os “hikikomori”, que geralmente se refere a jovens com baixa habilidade social e tendência ao isolamento, se multiplicaram nessa época. O Japão, assim como outras nações asiáticas, possui um censo de orgulho e moralidade muito fortes. Então para esses jovens, que se sentiam fracassados, era mais fácil evitar lidar com as frustrações do dia-a-dia e apenas “se esconder” em seus quartos.
Junto com o isolamento físico, os hikikomori mostram um extremo distanciamento psicológico do mundo social. Locais onde a interação social ativa é esperada – como uma escola ou trabalho – tornam-se impossíveis para a pessoa. Eles permanecem socialmente desconectados das pessoas ao seu redor, estejam ou não fora de casa. Embora algumas pessoas hikikomori, chamadas soto-komori, possam realizar algumas atividades externas, raramente interagirão com as pessoas. Alguns podem usar a Internet como uma janela para o mundo, mas muitas vezes não interagem com os outros.
Pesquisas mostram que experiências traumáticas, como episódios de vergonha e derrota, são frequentemente relatadas como gatilhos em várias culturas – como ser reprovado em provas importantes ou não conseguir um emprego reconhecido. Neste caso, os Hikikomori evitam lidar com qualquer possibilidade de derrota ou constrangimento, quando escolhem se “retirar” da vida social.
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