A campanha “Julho Amarelo” destaca a importância da prevenção, diagnóstico e tratamento das Hepatites Virais. Em Manaus, segundo dados do Sistema de Notificação de Agravos (Sinan) 366 novos casos de hepatites virais foram registrados no ano de 2021, incluindo 200 casos do tipo B e 146 do tipo C. Em 2022, já foram diagnosticados 70 casos de hepatites (40 de hepatite B e 29 casos de hepatite C).
A adoção da cor amarela está ligada a um dos sintomas característicos da doença, pele e os olhos amarelados. Além disso, o mês de julho foi escolhido porque no dia 28 celebra-se o Dia Mundial da Luta Contra Hepatites Virais, data criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a pedido do Brasil.
De acordo com médica Hepatologista, especializada nas áreas de Gastroenterologia e Hepatologia, Cristina Melo, o mês tem como objetivo conscientizar a população para manter os cuidados à estas doenças, principalmente, as virais.
“Estamos no Julho Amarelo, mês de conscientização sobre as hepatites virais, nós da região amazônica vivemos em uma condição especial sobre o assunto, pois somos considerados área hiperendêmica pra hepatite B”, alerta.
Segundo a estimativa da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), mais de 1,5 milhão de pessoas têm hepatite, mas apenas cerca de 300 mil sabem disso. Segundo Cristina Melo, a Hepatite C tem cura e pode ser diagnosticada e tratada pelos serviços públicos e privados de saúde.
“Todos nós adultos e crianças merecemos fazer pelo menos uma vez na vida o exame de sangue que detecta o vírus. Esse exame pode ser feito na forma de teste rápido nas Unidades Básicas de Saúde (UBS´s), assim como numa coleta convencional de rotina. Todo esforço vale, pois, a hepatite B tem tratamento disponível no Sus que evita o agravamento para cirrose, e também diminui de maneira importante o risco de câncer de fígado. E, para aqueles que fazem o teste e não tem o vírus uma notícia ainda melhor, existe uma vacina altamente eficaz e segura disponível em todos os postos de vacinação, para todas as idades. Por tanto não é para assustar, mas sim conscientizar, continuem se cuidando”, enfatiza Cristina Melo.
Cristina Melo explica que a hepatite é uma inflamação do fígado que pode ser decorrente de diversas causas, por meio da infecção por vírus, pelo uso de medicamentos, uso de álcool, doenças genéticas, entre outras.
“É uma doença transmitida de pessoa a pessoa por um vírus que afeta o funcionamento do fígado, podendo levar a cirrose que o é o mal funcionamento do órgão, assim como o câncer. Porém a nossa preocupação não para por aí, nossa região tem outro agravante, temos o vírus delta e circula quase exclusivamente por aqui em termo de Brasil e que só infecta aqueles que já tem o vírus B, tornando a doença mais agressiva”, ressalta a médica hepatologista.
A médica destacou que é preciso ter atenção pois as hepatites costumam apresentar seis sintomas, por isso rastreio a vigilância deve ser incentivado.
“Vale lembrar que nem sempre quando a gente tem inflamação no fígado, que é o portado da inflamação vai ter algum sintoma, na maioria das vezes as hepatites tem um curso assintomático, sem dar nenhum sintoma ou quando existe um sintoma é algo muito vago, como um mal-estar, uma dor, um desconforto leve na região do abdômen a parte mais superior da barriga, náuseas, uma febre baixa”, reforça.
A médica ressalta que a maior preocupação são com as hepatites B e C, que podem se tornar crônicas. Por isso, são casos que pedem mais atenção, mais um motivo que torna o Julho Amarelo necessário.
"Essas hepatites elas são transmitidas pelo contato intimo com pessoas que já portam esses vírus, então é passado de pessoa a pessoa, essa é a forma mais comum. Pode também ser adquirida através de uma transfusão de sangue especialmente em décadas passadas quando o controle, ou mesmo as doenças não eram conhecidas. Por exemplo uma tatuagem feita em um local sem higienização adequada, compartilhamento de seringas, entre outros”, destaca.
Cristina Melo ressalta a importância de evitar as hepatites virais, doenças graves que podem comprometer a vida de crianças e adultos. “A minha recomendação é que todos procurem fazer o teste das hepatites, pelo menos uma vez na vida. Esses testes estão disponíveis nas redes básicas, pública, no sistema privado, então procurem saber quando forem a uma consulta médica. É importante, a gente precisa identificar, porque as hepatites estão aí, e elas são doenças silenciosas”, reforça.
Como diagnosticar?
A melhor forma de diagnosticar as hepatites virais é por meio do mapeamento da doença, identificando sintomas e outros fatores que podem ter desencadeado a enfermidade. A partir disso, é possível definir por meio de exames qual o tipo da doença, assim como o tratamento adequado.
Identificação – A Hepatite A é diagnosticada em pacientes que apresentam mal-estar, vômitos, icterícia, urina escura e acolia fecal e o exame de sangue anti-HAV IgM reagente, indicando que a pessoa tem hepatite pelo vírus A.
Os testes rápidos para hepatites B e C são, sobretudo, indicados para diagnósticos em indivíduos com infecção crônica e assintomáticos, ou seja, podem estar com a doença, mas não tem conhecimento.
O tratamento para a hepatite B (doença que não possui cura) é o controle por meio de acompanhamento médico e medicamento para combater a multiplicação do vírus no fígado durante toda a vida. A hepatite D, de forma similar, com uso de medicamento por aproximadamente 1 ano.
A hepatite C é tratada com medicamento por cerca de 12 semanas, tendo chance de cura de 95%. Para a testagem é necessário coletar uma gota de sangue do dedo do paciente.
Como prevenir?
Uma das razões da criação do Julho Amarelo é alertar a população para os perigos das hepatites virais, assim como para as formas de prevenção.
Não compartilhe objetos de qualquer tipo com alguém que possa estar com alguma das hepatites virais;
Tenha cuidado com a higiene dos alimentos, lavando-os bem antes de comer;
Ao viajar para áreas com casos de hepatites, redobre os cuidados;
Mantenha exames de rotina e consultas médicas em dia;
Não compartilhe objetos perfurantes e cortantes;
Use preservativo em relações sexuais;
Mantenha as vacinas em dia.
Texto: Eriana Monteiro