quinta, 23 de abril de 2026
31/05/2025   08:00h - Entrevistas

Henrique Pereira Diretor do INPA, Henrique Pereira, fala ao ON Jornal sobre os avanços do Instituo na defesa do Meio Ambiente Amazônico

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), É uma instituição de pesquisa científica vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) do Brasil. Fundado em 1952, o INPA está localizado em Manaus-AM, e é um dos mais importantes centros de estudos da Amazônia.

 

Os principais objetivos do Instituto são: Estudar e compreender a biodiversidade amazônica, incluindo flora, fauna, ecossistemas e recursos naturais. Além disso, promove o desenvolvimento sustentável da região amazônica, por meio de pesquisas em áreas como ecologia, climatologia, genética, biotecnologia e manejo de recursos naturais.

 

Com o inicio da semana que celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente, o ON Jornal conversou com o diretor do Instituto, Henrique Pereira, que falou sobre os recentes trabalhos de pesquisa e os avanços que a instituição promoveu na defesa do meio ambiente. Confira.

 

ON Jornal - Qual a importância da participação do INPA na 2ª Reunião Anual da Rede Bioamazônia para a integração científica e ambiental entre os países amazônicos?

 

Henrique Pereira - Juntamente com outras instituições vinculadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil — o Museu Paraense Emílio Goeldi e o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá — o INPA representa, na Rede, os institutos científicos sediados no território brasileiro da Pan-Amazônia. Reeleito para a vice-presidência da Rede, em parceria com o Instituto Sinchi, da Colômbia, o INPA tem assumido papel central na coordenação dessa iniciativa inédita. É a primeira vez que os institutos científicos líderes de cinco países amazônico se articulam para construir uma estratégia integrada de cooperação regional.

 

ON Jornal -Quais projetos de cooperação internacional estão sendo discutidos no Peru que envolvem diretamente o INPA?

 

Henrique Pereira - Estamos desenvolvendo um projeto com apoio técnico e financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), voltado à biodiversidade, biotecnologia e bioeconomia na região. Com duração de quatro anos, iniciado em 2023, o projeto prevê a difusão e transferência de oito processos e produtos de base biotecnológica, voltados ao uso sustentável da sociobiodiversidade amazônica, para cerca de 400 agentes econômicos. Uma das espécies escolhidas como foco é o camu-camu, que atende aos critérios estabelecidos para o desenvolvimento tecnológico.

 

ON Jornal -De que forma a Rede Bioamazônia pode fortalecer a conservação da floresta e o desenvolvimento sustentável das populações locais com apoio da ciência?

 

Henrique Pereira – Além do foco na bioeconomia, com ênfase no desenvolvimento de cadeias de valor, a Rede Bioamazônia atua em três outras frentes estratégicas: a produção e integração de conhecimentos sobre a biodiversidade; o mapeamento de conflitos e ameaças à conservação da natureza; e a gestão territorial e ambiental dos territórios, promovendo o diálogo entre saberes científicos e tradicionais. Esses eixos fortalecem a capacidade da região de desenvolver soluções sustentáveis para seus desafios sociais e ambientais.

 

ON Jornal -Quais foram as principais ações do INPA nos últimos meses voltadas à defesa do meio ambiente na região amazônica?

 

Henrique Pereira -  Como instituição científica, o INPA contribui com as ações de proteção ambiental, por meio de pesquisas e serviços técnicos especializados que apoiam os órgãos governamentais das três esferas administrativas. Destaca-se a colaboração com instituições federais, como o Ibama e o ICMBio, em diversas frentes. Entre as ações recorrentes e de grande incidência de política pública, podemos citar a elaboração de planos nacionais para a conservação de espécies ameaçadas e os estudos prévios de avaliação de impactos ambientais.

 

ON Jornal -O INPA tem desenvolvido novas pesquisas sobre mudanças climáticas e seus efeitos na biodiversidade da Amazônia? Poderia destacar algum estudo recente?

 

Henrique Pereira - Um exemplo relevante é o novo experimento chamado AmazonFACE. Esse projeto, realizado em campo, em condições naturais, investiga os efeitos do aumento da concentração de gases de efeito estufa sobre as funções ecológicas da floresta e seus diversos componentes bióticos. A iniciativa é fruto de uma colaboração científica com o Reino Unido. Também se destacam o projeto ATTO, em cooperação com a Alemanha, e o Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), de longa duração, com sua rede regional de torres de monitoramento microclimático.

 

ON Jornal -Como o Instituto tem trabalhado para integrar o conhecimento tradicional das populações indígenas e ribeirinhas às pesquisas científicas?

 

Henrique Pereira - O INPA tem avançado significativamente na adoção da perspectiva intercultural em sua prática científica. Reconhecemos que a via mais eficaz para aprofundar o conhecimento sobre a biodiversidade e os ecossistemas amazônicos — e sobre o uso sustentável de seus recursos naturais — é a coconstrução de saberes junto a especialistas indígenas e ribeirinhos. Além disso, incentivamos a presença desses grupos em nossa pós-graduação. Atualmente, doze estudantes indígenas estão prestes a defender suas dissertações e teses nos programas de mestrado e doutorado do Instituto.

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