A inteligência norte-coreana adotou uma estratégia inovadora para obter informações que possam vir a beneficiar o governo do país. Em vez de simplesmente invadir sistemas digitais e roubar dados, hackers a serviço do regime têm enganado especialistas para que eles realizem pesquisas sobre temas de interesse e as entreguem ao governo da Coreia do Norte. As informações são da agência Reuters.
A operação comandada por Pyongyang foi revelada por analistas de segurança digital e teve como base os depoimentos de cinco pessoas visadas pelos hackers, que apresentaram as mensagens de e-mail usadas para enganá-las. O objetivo do governo norte-coreano seria, assim, obter conteúdo produzido por pessoas influentes em nações ocidentais.
Por trás da campanha estaria o notório grupo norte-coreano de hackers Thallium, que entre julho de 2020 e junho de 2021 foi o segundo mais ativo do mundo a serviço de um governo, segundo relatório da Microsoft.
Habitualmente, o Thallium usa e-mails de “spear-phishing”, que induzem os alvos a clicar em links que dão aos cibercriminosos acesso a senhas, documentos e sistemas em geral. As vítimas costumam ser funcionários de governos, organizações de direitos humanos, think tanks e acadêmicos.
Segundo James Elliott, do Centro de Inteligência de Ameaças da Microsoft, a operação é “muito, muito simples” e vem tendo “muito sucesso”. “Os atacantes mudaram completamente o processo”, declarou ele, destacando que os primeiros casos foram registrados em janeiro deste ano.