quinta, 23 de abril de 2026
23/12/2023   08:00h - Especial

Há 35 anos o líder ambientalista CHICO MENDES morreu deixando um legado revolucionário

Ontem, dia 22 de dezembro de 2023, completou-se três décadas e meia do crime de maior repercussão no mundo, quando se refere às lutas de cunho agrário e de defesa do meio ambiente. Há exatos 35 anos, no anoitecer de uma quinta-feira que ficou marcada na história, o líder sindical Chico Mendes foi totalmente baleado logo após deixar os policiais que lhe faziam segurança, com quem jogava dominó, para ir ao banheiro que ficava do lado externo da casa que hoje é o principal ponto turístico da cidade.


Antes de receber o disparo fatal, Mendes comentou com a esposa, Ilzamar, sobre a necessidade de instalar uma lâmpada no quintal. Era tarde para isso. À espreita, na escuridão, um homem que a justiça apontou como sendo Darci Alves, filho do fazendeiro Darly Alves alvejou o peito do líder seringueiro com uma escopeta. Pai e filho foram acusados, denunciados e condenados como autor e mandante do assassinato cujo barulho do tiro ainda hoje ecoa no mundo, especialmente na semana entre 15 e 22 de dezembro, todos os anos.


15 de dezembro, que marca a abertura da Semana Chico Mendes, é a data de nascimento de Chico, no ano de 1944. Ele nasceu no seringal Porto Rico em Xapuri, filho do migrante cearense Francisco Alves Mendes e de Maria Rita Mendes. Ainda criança começou no ofício de seringueiro acompanhando o pai. Aprendeu a ler aos 19 anos, já que nos seringais, salvo raríssimas exceções, não havia escolas, uma dura realidade daqueles tempos.

 

O próprio Chico Mendes costumava contar que foi o militante comunista Euclides Távora, participante no levante comunista de 1935 em Fortaleza e na Revolução de 1952 na Bolívia, que o ensinou a ler e a escrever, mas também a trilhar o caminho que o levaria a se interessar pelos destinos do planeta e da humanidade. Após retornar ao Brasil, Távora fixou residência em Xapuri, onde se tornou o alfabetizador do futuro ativista ambiental. Com Távora, Chico também pegou o costume de ouvir rádios internacionais, em ondas curtas, com programação em português.


A morte do ambientalista causou grande repercussão no mundo, mobilizando entidades e personalidades no exterior voltadas para os temas que Chico defendia. Ele acabara de fazer uma maratona por vários países, participando de fóruns internacionais para denunciar que o Banco Mundial (BIRD) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) financiavam o desmatamento na Amazônia diante de um cenário aterrador de ameaças concretas contra os seringueiros que já viviam uma situação extremamente difícil, sendo pressionados a abandonar os seringais.


O grande legado da luta de Chico Mendes foi a criação da Reserva Extrativista que leva o seu nome e se espalha pelos territórios de sete municípios acreanos. A unidade de conservação representou a concretização, pelo menos em tese, do modelo de reforma agrária pensado pelo ativista para a Amazônia. A área foi consolidada sob o discurso da manutenção da maior importância da floresta em pé, para ser explorada de maneira sustentável pelos seus beneficiários, segundo as normas que foram estabelecidas para isso.


No entanto, 35 anos passados da morte do cofundador do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, é visível que o discurso da floresta em pé não se consolidou no país, que continua a ter no desmatamento uma de suas maiores discussões e preocupações do ponto de vista ambiental. Os próprios moradores da Resex começaram a secundarizar o extrativismo para aderir à criação de gado na unidade de conservação, alguns passando a lotear ilegalmente suas colocações, abrindo espaço para o avanço do desmatamento.

 

Em razão da situação é que o tema da Semana Chico Mendes deste ano é: “O empate de retomada”, que segundo a jornalista Camila Araújo, formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), e estudante de História na Universidade de Brasília (UnB), que está fazendo uma cobertura colaborativa do evento neste ano, significa retomar os princípios para os quais as reservas foram criadas.

 

Hoje, durante a semana de mobilização do Comitê Chico Mendes, familiares e amigos celebram não apenas a memória do líder, mas também renovam o compromisso de enfrentar os desafios que ainda persistem na defesa da Amazônia e de seus habitantes.

  

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