Um estudo publicado na revista Regional Environmental Change aponta que a expansão agrícola, a degradação florestal e outras mudanças no uso da terra ameaçam a sobrevivência do guigó-da-Caatinga, macaco exclusivo do Brasil e já classificado como Criticamente em Perigo de extinção. A pesquisa, conduzida por universidades federais e pelo ICMBio, analisou 84 paisagens para entender como a transformação do ambiente ao longo de 37 anos impactou a espécie. Mapas anuais de uso do solo revelaram perdas contínuas de vegetação nativa em áreas onde o primata é encontrado.
Os dados mostram que um quarto das florestas no território do guigó-da-Caatinga foi convertido em pastagens, resultando em uma redução de 17% da cobertura florestal. Atualmente, 54% da região onde a espécie vive é ocupada por agricultura ou solos degradados, e as pastagens cresceram de 30% para 42% entre 1985 e 2021. Segundo os pesquisadores, essa expansão fragmenta o habitat, aumenta a pressão humana e prejudica a regeneração natural da vegetação, além de expor os animais a condições que dificultam sua sobrevivência.
A fragmentação também tem levado a um adensamento das populações em áreas isoladas, aumentando a competição, reduzindo a variabilidade genética e ampliando a vulnerabilidade a incêndios, doenças e expansão agropecuária. Com menos de 9% da Caatinga protegida, os autores defendem que os resultados sirvam de base para ações de conservação, criação de novas áreas protegidas e políticas que conciliem produção e preservação.
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