quinta, 23 de abril de 2026
03/11/2025   15:20h - Economia

Guerra de preços entre bancos aquece mercado de hipotecas e expõe divisão sobre riscos na Espanha

A divulgação dos resultados do terceiro trimestre reacendeu o debate entre os principais bancos espanhóis sobre o estado do mercado de hipotecas, que voltou a ganhar força com a queda das taxas de juros. Após recuar de 4% para 2,187% em outubro, a Euribor, principal referência para esses empréstimos, sinaliza o fim do ciclo de afrouxamento monetário, mas também uma nova onda de competição entre instituições financeiras. Bancos de médio porte vêm oferecendo taxas abaixo do mercado para conquistar clientes, enquanto os maiores mantêm estratégias mais cautelosas.
 

Entre as vozes mais críticas, o BBVA e o Bankinter consideram que a guerra de preços levou as taxas a níveis “irracionais”, especialmente em hipotecas de longo prazo e taxa fixa. Ambos os bancos reduziram sua atuação nesse segmento, priorizando rentabilidade sobre volume. Já o Santander, que havia criticado a agressividade do mercado meses atrás, prepara-se agora para retomar a disputa, observando sinais de estabilização nas condições. A CaixaBank, por sua vez, líder com 25% do mercado, descarta um colapso e aponta o desequilíbrio entre oferta e demanda como o verdadeiro desafio, destacando que as hipotecas espanholas continuam entre as mais baratas da zona do euro, 2,6% contra a média de 3,2%.
 

Apesar das divergências, o setor segue aquecido. Entre janeiro e setembro, os bancos espanhóis concederam € 60,4 bilhões em novos empréstimos hipotecários, um aumento de 23% em relação ao ano anterior, segundo o Banco da Espanha. A carteira total de crédito imobiliário cresceu 2% no período, puxada por CaixaBank, Bankinter e BBVA.

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