O Greenpeace Brasil identificou mais uma Permissão de Lavra Garimpeira (PLG) "fantasma" utilizada para dar aparência legal ao ouro extraído ilegalmente na Amazônia. Trata-se da PLG 851561/2011, da Cooperativa dos Garimpeiros da Amazônia (COOGAM), no Alto Tapajós, em Jacareacanga (PA). A permissão declarou a retirada de 4,5 kg de ouro, comprados pela F.D'Gold Distribuidora, movimentando R$ 2,81 milhões em junho de 2026. No entanto, a investigação revelou que não houve atividade garimpeira dentro da área permitida: as dragas licenciadas estavam minerando fora dos limites autorizados pela ANM e pela SEMAS/PA, enquanto a área da PLG está sobreposta à Terra Indígena Munduruku, conforme o Decreto de 25 de fevereiro de 2004.
Durante sobrevoo de validação em 27 de julho e análise de imagens de satélite, o Greenpeace constatou a formação dos chamados "arrotos de draga" – bancos de areia formados por sedimentos e rejeitos – ao longo do rio Tapajós, onde se concentra o mercúrio usado na amalgamação do ouro. Além desta PLG, a COOGAM conseguiu licenças para outras duas dentro dos limites da Terra Indígena, gerando impactos como poluição sonora, aliciamento de aldeias e comprometimento do abastecimento público de água, relatos ignorados no licenciamento. A outorga viola o parágrafo 7º do artigo 231 da Constituição Federal, que proíbe atividades minerárias em terras indígenas sem autorização do Congresso Nacional.
"É urgente que a ANM identifique e cancele imediatamente essas PLGs fantasmas. Quantas mais precisaremos identificar?", alerta Danicley Aguiar, coordenador da Frente de Povos Indígenas do Greenpeace Brasil. A denúncia integra a investigação apresentada no relatório "Lavagem de ouro na Amazônia: anatomia de uma fraude", de junho de 2026, que analisou 187 processos minerários e identificou 98 PLGs com irregularidades, responsáveis pela comercialização declarada de 25,3 toneladas de ouro no período – cerca de R$ 18,4 bilhões. Com este novo caso, o número de PLGs irregulares sobe para 99.
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