Centenas de milhares de pessoas tomaram as ruas de diversas cidades da Grécia ontem (28), exigindo justiça para as vítimas do pior acidente ferroviário da história do país. O protesto marca dois anos da tragédia de Tempi, que matou 57 pessoas quando um trem de passageiros cheio de estudantes colidiu com uma composição de carga. A indignação cresceu após um inquérito recente revelar que as falhas de segurança responsáveis pelo acidente ainda não foram corrigidas. Enquanto isso, a investigação judicial segue inconclusa, e ninguém foi condenado.
A mobilização afetou voos, transportes marítimos e ferroviários, com controladores de tráfego aéreo, marinheiros, maquinistas, médicos, advogados e professores aderindo a uma greve geral de 24 horas. Na Praça Syntagma, em Atenas, dezenas de milhares de manifestantes ergueram cartazes acusando o governo de negligência. “Isso não foi um acidente, foi um assassinato”, afirmou o músico Christos Main, de 57 anos. O governo do primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis, reeleito mês após o desastre, tem sido duramente criticado por não abrir um inquérito parlamentar sobre a responsabilidade política no caso.
Os atos refletem um profundo descontentamento da população grega, que ainda sente os efeitos da crise financeira de 2009-2018, quando o país sofreu cortes severos em serviços públicos.
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