Um estudo publicado na revista Ecological Monographs por pesquisadores do CBioClima (IB-Unesp) aponta que grandes mamíferos, como antas, queixadas, catetos e veados, são fundamentais para a fertilidade do solo na Mata Atlântica. Ao transitarem pela floresta, esses animais urinam, defecam e remexem a terra em busca de alimento, alterando positivamente a composição química do ecossistema. A pesquisa reforça que a presença desses herbívoros, frequentemente ameaçados pela caça ilegal, é vital para a sobrevivência do bioma a longo prazo.
Para chegar aos resultados, os cientistas monitoraram, desde 2009, áreas abertas na Serra do Mar e as compararam com parcelas cercadas que impediam a entrada dos animais. Nos locais com livre circulação dos mamíferos, o solo apresentou menor acidez e maior abundância de nutrientes essenciais, como o cálcio, além de uma redução drástica nos níveis de alumínio, que é prejudicial às plantas.
Na camada de folhas e galhos superficiais (serrapilheira), o pisoteio ajudou a fragmentar a matéria orgânica e acelerar sua decomposição. Uma nova etapa da pesquisa, conduzida em parceria com a Dados preliminares indicam que o fuçar dos mamíferos estimula o aumento de nematoides predadores, cuja presença confirma que a teia alimentar subterrânea está equilibrada.
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