Com os ventos da economia global mudando de direção, a Genoa Capital tem reconfigurado sua estratégia de investimentos, apostando em ativos defensivos no exterior e elevando significativamente a exposição à Bolsa brasileira. A combinação entre juros longos em alta nos EUA, risco fiscal e sinais de recessão levou os gestores a focarem em empresas de tecnologia com modelos resilientes, como a Microsoft — que consideram quase um "ETF do setor". Ao mesmo tempo, o Brasil voltou ao centro da carteira, impulsionado pela entrada de capital estrangeiro e valuations atrativos.
A leitura da casa é clara: em tempos de incerteza, grandes empresas com geração de caixa robusta, como Microsoft, Amazon e NVIDIA, são mais resistentes à turbulência do que small caps — especialmente nos EUA, onde o índice Russell 2000 tem servido como hedge para posições no Brasil. “O cenário americano segue pressionado, mas no Brasil vemos espaço para valorização, mesmo com os desafios políticos e fiscais”, diz José Luiz Torres, sócio da gestora.
A mudança de postura é visível. Seis meses atrás, a Genoa quase não tinha Brasil na carteira. Hoje, 60% do portfólio está alocado em ações locais. Os sócios apontam que, com os juros próximos do pico e o Banco Central mais previsível, o mercado brasileiro oferece assimetrias interessantes. “O investidor estrangeiro voltou, principalmente para ações líquidas como bancos e energia. E isso muda o jogo”, afirma João Vitor Julião. A Genoa, por sua vez, aposta na disciplina: ajustes finos nas posições, proteção constante e paciência para atravessar o cenário volátil com solidez.
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