Dois anos após ser destituído e preso por criticar a cúpula militar da Rússia, o general Ivan Popov está de volta ao campo de batalha, mas em uma posição que poucos desejariam. O ex-comandante da 58ª Armada, que caiu em desgraça ao denunciar publicamente o abandono das tropas pelo alto comando, agora lidera uma das unidades mais temidas (e sacrificadas) do conflito: um destacamento Tempestade-Z, formado por ex-presidiários enviados às missões mais arriscadas na guerra contra a Ucrânia.
A reintegração de Popov vem após forte pressão de militares nacionalistas e veteranos. Em 2023, ele viralizou dentro e fora da Rússia ao enviar um áudio no qual acusava o general Valery Gerasimov de trair o próprio exército. A resposta foi dura: remoção imediata, exílio na Síria e prisão por suposta fraude. Mas em março deste ano, Popov escreveu uma carta pública a Vladimir Putin pedindo para voltar à guerra e chamando o presidente de seu “guia moral”. O gesto surtiu efeito: o processo foi suspenso, e ele teve o retorno autorizado.
Agora, Popov assume uma missão considerada quase suicida. Segundo analistas, os destacamentos Tempestade-Z são enviados com frequência a ofensivas frontais de altíssimo risco, com baixas expressivas. Para a analista Kateryna Stepanenko, “trata-se, efetivamente, de uma sentença de morte”. Ainda assim, para Popov, pode ser também uma chance de redenção — ou o capítulo final de uma trajetória marcada por coragem, controvérsia e confronto direto com o poder.
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