O leste da República Democrática do Congo vive uma das piores crises humanitárias do continente africano. Só nos últimos dias, ao menos 45 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas por causa de novos combates entre o grupo armado M23 e as forças do governo, especialmente na província de Kivu do Norte. Em outras regiões, como Kivu do Sul, o cenário é igualmente dramático: confrontos no território de Walungu expulsaram mais de sete mil civis desde o início de março. Segundo o Unicef, a violência sexual atinge níveis alarmantes, com uma média de um estupro a cada meia hora.
A Missão da ONU no país, a Monusco, liderada pelo general brasileiro Ulisses de Mesquita Gomes, tem enfrentado dificuldades para conter a escalada da violência. Grupos armados utilizam drones, mensagens criptografadas e campanhas de desinformação para se fortalecerem. A tecnologia virou aliada da guerra, e a resposta das forças de paz passa, agora, por treinar não só soldados, mas também toda a equipe da missão para combater as fake news que alimentam o conflito.
Além da guerra, desastres naturais como enchentes já desalojaram 16 mil pessoas na província de Tanganyika, e surtos de cólera se espalham por quatro regiões. O colapso humanitário se agrava com o fluxo de refugiados para o país vizinho, Uganda, que já abriga mais de 60 mil congoleses fugindo da violência só em 2025. Ao todo, o país vizinho acolhe 1,8 milhão de refugiados. A ONU alerta: o leste do Congo vive uma tragédia silenciosa que clama por atenção internacional urgente.
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