"Teve um cara aí que me contratou para te matar amarrado", dizia uma mensagem recebida por um radialista paraguaio, baseado em Pedro Juan Caballero (Paraguai), na fronteira com o Brasil. "Você vai resolver ou já foi para você, tá certo".
A mensagem, enviada por WhatsApp, em português, propunha que o profissional "resolvesse o problema", indicando que um suposto pistoleiro gostaria de receber dinheiro para não matá-lo. O caso, em investigação pela polícia paraguaia, faz parte da rotina de quem faz jornalismo naquela região, hoje sob os holofotes devido a uma onda de violência.
Ao menos 10 profissionais da imprensa foram assassinados nas regiões próximas à fronteira entre os dois países. As mortes estão em grande parte relacionadas à ação do crime organizado. A região é dominada por facções brasileiras, com ação mais forte do PCC (Primeiro Comando da Capital). No entanto, muitas vezes os crimes são cometidos como represália por desavenças políticas, sem ligação com os grupos criminosos.
Segundo jornalistas locais, embora o Estado forneça esse tipo de segurança, é muito dispendioso ficar com a escolta durante muito tempo, uma vez que isso envolve vários gastos extras –cabe à pessoa fornecer a alimentação dos agentes, por exemplo. Do outro lado da fronteira, João Carlos Torraco, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais na Região da Grande Dourados, diz que os jornalistas da região vivem pisando em ovos. Seja devido a ameaças de agressão por políticos ou tendo cautela ao citar qualquer nome que possa estar relacionado ao crime organizado.
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