A descoberta da coloração ultrapreta na formiga-feiticeira, a Traumatomutilla bifurca, junta-se a um grupo fascinante de animais que desenvolveram, através da evolução, a capacidade de absorver quase toda a luz visível. O fenómeno, que no inseto reflete menos de 0,5% da luz, não é exclusivo dos himenópteros, sendo um notável exemplo de evolução convergente, onde diferentes espécies atingem a mesma solução biológica para desafios ambientais distintos.
?A estratégia de “ultrapretidão” é utilizada para diversos propósitos na natureza. Em algumas Aves-do-Paraíso, as penas ultrapretas atuam como um fundo super-absorvente para maximizar o brilho de cores vizinhas vibrantes, essenciais nos rituais de acasalamento.
?Este mecanismo de absorção de luz, que reside em nanoestruturas físicas e não apenas em pigmentos, inspira diretamente a biomimética. Assim como a formiga-feiticeira pode guiar o desenvolvimento de novos revestimentos antirreflexo e coletores solares, o estudo destas espécies serve como um valioso modelo natural.
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