quinta, 23 de abril de 2026
21/12/2025   19:40h - Curiosidades

Fofocar faz mal? A ciência diz que nem sempre

Pesquisas indicam que passamos até uma hora por dia fofocando e que cerca de 65% das nossas conversas envolvem pessoas ausentes, segundo o antropólogo e psicólogo evolucionista Robin Dunbar, da Universidade de Oxford. Apesar de socialmente condenada, a fofoca é extremamente popular e permeia desde conversas cotidianas até produtos culturais de massa, como a série Bridgerton e conteúdos virais nas redes sociais. Para a ciência, fofocar nada mais é do que trocar informações sobre terceiros que não estão presentes, sejam elas positivas, neutras ou negativas.

 

Do ponto de vista evolutivo, o interesse pela vida alheia trouxe vantagens reais para nossos ancestrais. Em grupos pré-históricos, saber quem era confiável, perigoso ou cooperativo podia significar a diferença entre sobreviver ou não. A fofoca ajudou a construir memória social, orientar decisões e regular comportamentos, funcionando como uma forma informal de controle social. Estudos mostram que pessoas tendem a agir de maneira mais altruísta quando sabem que podem virar assunto, o que fortalece a coesão do grupo.

 

Além disso, fofocar cria vínculos. Pesquisas indicam que esse tipo de conversa aumenta a liberação de ocitocina, hormônio ligado à confiança e à conexão emocional, e pode melhorar relações afetivas e a integração social, inclusive em comunidades de migrantes.

 

O lado negativo surge quando a fofoca se transforma em boato, distorcido e sem base, capaz de causar danos reais. Para os especialistas, o desafio não é eliminar a fofoca (algo praticamente impossível), mas usá-la de forma consciente, ética e voltada ao bem coletivo.

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