Monday, 08 de June de 2026
19/11/2021   09:00h - Educação

Ficar sem celular durante a prova do Enem é fonte de ansiedade para jovens

Acendendo e apagando, a luz que indica novas interações nas redes sociais e aplicativos de mensagens não para de piscar, não importa a hora do dia ou da noite. Um comentário em uma foto, uma resposta aos stories, a confirmação de um encontro com amigos ou crushes, tudo é motivo de notificação - e ficar longe desses pequenos drops de informação é fonte de ansiedade para muitos jovens. Como, então, lidar com a exigência de permanecer várias horas longe do smartphone, com o aparelho desligado e completamente fora do alcance das mãos e até mesmo do olhar? A nomofobia - medo de ficar sem o celular - pode ser um problema real para estudantes que vão prestar vestibular ou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

 

Um estudo realizado na Coreia do Sul e publicado no periódico Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking pela City University de Hong Kong chegou à conclusão de que estudantes universitários consideram seus smartphones como uma extensão de seus corpos e de sua identidade. Quando privados do contato com esses aparelhos, os jovens demonstravam ansiedade e angústia. O termo “nomofobia” vem da expressão em inglês “no mobile phobia”, literalmente “medo de ficar sem celular”. Esse é um problema que tende a ser cada vez mais comum em todo o mundo.

 

“Com o passar do tempo, se tornou mais difícil ficar longe do celular porque, para a maioria das pessoas, ele é um instrumento de conexão. Também o utilizamos para leituras, pesquisas, agenda, registrar momentos por meio de fotos e vídeos, localização (GPS), assistir séries e filmes, jogar, aprender, entre tantas outras funções”, explica Rafaela de Faria, doutora em Educação e professora do curso de Psicologia da Universidade Positivo. Durante a realização de uma prova como a do Enem, entretanto, não é permitido mexer nesse tipo de aparelho, o que pode ser um problema para quem não está acostumado a deixar de lado as teclas e notificações. “Preparar-se para essas longas horas longe do smartphone também é uma parte importante do período que antecede exames como o Enem e vestibulares. É preciso exercitar o cérebro para que ele permaneça tranquilo ao longo da resolução da prova”, afirma a especialista

 

Para o professor de História e coordenador editorial do Sistema Positivo de Ensino, Norton Nicolazzi Junior, ao fazer uma prova como o Enem, tão importante quanto saber os conteúdos que podem ser cobrados é estar emocionalmente preparado. “Muitos estudantes não conseguem lidar com a pressão psicológica envolvida em uma avaliação que pode ser determinante para o futuro profissional. Então, saber resolver as questões é apenas uma parte da preparação necessária para esses exames”, pontua. Nicolazzi lembra que, atualmente, dependemos do celular para uma série de tarefas fundamentais no dia a dia, mas que precisam ser deixadas do lado de fora da sala de aplicação da prova. “O estudante precisa ser capaz de focar sua atenção na resolução dos exercícios cobrados, sem ficar pensando no que está ‘perdendo’ por não estar com o smartphone por perto”.

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