Monday, 08 de June de 2026
02/03/2023   09:35h - Economia

Fernando Haddad nega pressão ao BC para reduzir Selic e aponta desafios econômicos do governo atual

Ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), negou nesta quarta-feira (1º) ter pressionado o Banco Central a reduzir a taxa Selic. Durante anúncio da reoneração parcial dos combustíveis, Haddad afirmou que a medida permitiria uma antecipação do calendário de queda de juros. Segundo o ministro, tal percepção foi compartilhada pela própria autoridade monetária, em 7 de fevereiro, na divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a Selic a 13,75% ao ano. Haddad afirmou que a ata mostrava que a medida ia ao encontro do desejo do Banco Central de baixar juros.

 

Haddad ressaltou os desafios a serem enfrentados nos próximos meses e alegou que a atual administração não tem projeto para “ficar popular” em seis meses. Ele responsabilizou o governo anterior, de Jair Bolsonaro (PL), pela taxa de juros atual do país, que, segundo ele, em termos reais varia entre 6,5% e 8% ao ano, dependendo da metodologia adotada.

 

Haddad disse, ainda, que cabe à sua pasta tomar “medidas compensatórias” nos gastos públicos para “equilibrar o jogo” e “permitir que o Banco Central faça a parte dele e comece a restabelecer o equilíbrio da política econômica com vistas a um crescimento sustentável”. As declarações vêm poucos dias após Haddad cumprir agenda junto com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em encontro com representantes do G20, em Bangalore, na Índia. O comandante da autoridade monetária tem sido alvo de frequentes críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de aliados, que veem com preocupação a manutenção da Selic no atual patamar.

 

Haddad defendeu a necessidade de “harmonizar a política fiscal e a monetária”. “Não existe uma coisa e outra. Existe política econômica”, disse.  Ressaltou ainda que é preciso equilibrar as políticas fiscal e monetária para alcançar um crescimento sustentável.

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