O açaí conquistou o mercado internacional e se consolidou na Europa, onde o setor já movimenta cerca de meio bilhão de dólares, registrando cenas de filas em países como a Alemanha. O Pará é o protagonista dessa expansão, respondendo por 89,5% da produção nacional e movimentando quase R$ 9 bilhões. Esse boom transformou a realidade econômica de milhares de famílias ribeirinhas na Amazônia, que viram seus rendimentos saltarem significativamente, melhorando o acesso a serviços básicos como energia, internet e educação.
Por outro lado, o sucesso global trouxe impactos inflacionários para os consumidores locais da Amazônia, onde a fruta é um alimento básico do dia a dia e não uma sobremesa. Além disso, pesquisadores alertam para o risco de uma "monocultura progressiva" nas áreas de várzea, onde produtores têm priorizado o açaizeiro em detrimento de outras espécies nativas, reduzindo a biodiversidade.
Representantes do setor defendem que a cadeia produtiva ajuda a manter a floresta em pé, já que o cultivo depende do ecossistema preservado e vem sendo associado a sistemas agroflorestais consorciados com cacau e banana. No entanto, o avanço das mudanças climáticas e as secas históricas na região surgem como os maiores desafios para o futuro da atividade. O equilíbrio para os próximos anos exigirá conciliar o atendimento à crescente demanda internacional com a preservação ambiental e a segurança alimentar das populações locais.
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