Um estudo científico internacional publicado na revista Communications Earth & Environment revelou que os impactos das mudanças climáticas na Amazônia deixaram de ser graduais, atingindo com severidade inclusive as áreas mais preservadas e distantes do arco do desmatamento. Com a participação do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e de mais de 30 instituições globais, como INPE, INPA, NASA e a Universidade de Oxford, a pesquisa aponta que a região centro-norte da floresta, registrou os picos mais críticos de temperatura e seca do bioma. O diagnóstico reforça que a crise climática ultrapassa a dinâmica local de degradação e coloca em risco ecossistemas do planeta.
Os resultados demonstram um contraste marcante das frentes de degradação territorial e a incidência dos fenômenos climáticos. Enquanto a porção sul da Amazônia concentrou perdas de vegetação nativa com um aquecimento contínuo, a zona central registrou déficit hídrico 2,34 vezes superiores à média do bioma. Por terem evoluído sob alta umidade, as florestas de áreas conservadas demonstram sensibilidade à escassez de água e perdem a resistência ao fogo. Segundo os autores, a aceleração desses eventos extremos evidencia que conter o desmatamento é indispensável, mas insuficiente caso os países não reduzam drasticamente suas emissões globais.
A ocorrência de secas e ondas de calor, a exemplo dos impactos do El Niño, intensifica a mortandade de espécies, risco de incêndios florestais e prejuízos à saúde de populares na região. Diante da constatação de que as nações desenvolvidas possuem responsabilidade sobre a instabilidade da floresta, cientistas defendem a necessidade de mecanismos internacionais de financiamento para compensar e custear a recuperação ecológica da Amazônia.
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