O Exército pagou cerca de R$ 4,6 milhões em pensões à ex-esposa de Ailton Barros, aliado de Jair Bolsonaro (PL), após ele ter sido expulso da corporação, segundo apuração do UOL. O afastamento se deu em 2006, depois que a Justiça o condenou por jogar um veículo contra dois militares.
Ele está preso desde 4 de maio por suspeita de participação no esquema de fraude em cartões de vacinação para a inserção de doses de imunizantes contra a covid-19, que teria beneficiado o ex-presidente.
Os valores foram repassados a Marinalva Barros mensalmente ao longo de 14 anos, entre abril de 2009 e abril deste ano. Os pagamentos foram possíveis porque Barros é considerado "morto ficto" (morto fictício) nos registros do Exército para fins burocráticos, apesar de estar vivo. A pensão é possibilitada por uma lei de 1960, que garante o benefício a militares expulsos que estão vivos.
O procurador do Ministério Público no Tribunal de Contas da União (MP-TCU), Lucas Furtado, pediu à corte a suspensão dos pagamentos. "Esse privilégio não me parece justo porque cria diferenças com os servidores civis e é gritante a quebra da isonomia com o setor privado. [...] [A lei que autoriza as pensões] é aplicada de forma totalmente equivocada, dentre outras hipóteses, porque a lei fala que a pensão deve ser proporcional [ao tempo trabalhado] e pelo menos nesse caso [de Ailton Barros] isso não tem ocorrido", afirmou Furtado.
Copyright © 2021-2026. Onjornal - Todos os direitos reservados.