quarta, 21 de outubro de 2026
14/10/2026   10:20h - Política Internacional

ex-presidente da República Democrática do Congo lidera nova coligação político-militar e desafia o poder do atual presidente Félix Tshisekedi

Foto: Olivia Acland/ Reuters

O antigo Presidente da República Democrática do Congo (RDC), Joseph Kabila, anunciou a criação da Frente para a Refundação da Nação (FRN), uma nova coligação político-militar que reúne dirigentes ligados à antiga aliança AFC-M23. A iniciativa, anunciada em Goma, no leste do país, representa uma nova etapa na disputa pelo poder e na oposição ao Governo do Presidente Félix Tshisekedi. A coligação surge num contexto de instabilidade política e confrontos armados, colocando novamente Kabila no centro do debate sobre a governação, a segurança e o futuro institucional do país.

 

Joseph Kabila, que governou o Congo entre 2001 e 2019, tem acusado o actual Governo de corrupção, má governação e incapacidade para resolver a crise de segurança no leste congolês. O antigo chefe de Estado também manifestou preocupações relativamente a possíveis alterações constitucionais que poderiam permitir a Tshisekedi procurar um terceiro mandato em 2028. Entretanto, a sua participação na nova estrutura político-militar ocorre num contexto judicial delicado: em 2025, Kabila foi condenado à morte à revelia por um tribunal militar congolês, na sequência de acusações relacionadas com traição e crimes de guerra, que rejeita e considera politicamente motivadas.

 

A criação da FRN levanta novas questões sobre o equilíbrio de forças na política congolesa e sobre o futuro das negociações de paz no leste do país. A articulação entre dirigentes políticos e figuras ligadas à insurgência poderá influenciar as relações entre a oposição, o Governo e os mediadores internacionais. Neste cenário, o principal desafio será determinar se a nova coligação contribuirá para abrir espaço a negociações políticas mais abrangentes ou se aprofundará a confrontação armada. A evolução da situação dependerá das reacções das autoridades congolesas, das posições dos actores regionais e da capacidade das partes de encontrar uma solução que garanta estabilidade política e segurança à população.

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