Neste sábado (13) e domingo (14), será realizada a 5ª e última turma de formação do projeto Mulheres de Rede na cidade de Manaus. A atividade, que acontece no Casarão da Inovação Cassina, no Centro da capital, é gratuita e direcionada a mulheres entre 16 e 106 anos, que tenham curiosidade para saber assuntos relacionados à cultura digital.
A formação Mulheres de Rede é uma capacitação teórico-prática focada em mulheres com perfil de liderança na capital. A organização entende que a defesa e o aprofundamento da democracia passam pelo conhecimento e a ocupação ética e consciente da internet e das ferramentas digitais disponíveis. As participantes aprenderão na atividade sobre como cuidar de suas famílias, coletivos, redes e territórios a partir de saberes e ferramentas tecnológicas neste mundo tão centrado no Digital.
Além de aspectos práticos, o curso busca promover o pensamento crítico quanto à importância do Digital na defesa e no aprofundamento da democracia, passando sobre a necessidade de uma ocupação ética e consciente da internet e das ferramentas digitais disponíveis.
O ON Jornal, conversou com a Diretora do LabHacker e Co-Idealizadora do Mulheres de Rede, Evelyn Gomes, que explicou como a mentoria promove impacto positivo na sociedade, especialmente, nas mulheres. Confira
ON Jornal - Quais foram os principais fatores que motivaram a criação do projeto “Mulheres de Rede” e quais objetivos o programa quer alcançar?
Evelyn Gomes - O Mulheres de Rede busca ampliar o protagonismo feminino nas discussões sobre tecnologia, política e sociedade, por meio de formações híbridas (presenciais e online), da articulação de redes locais e nacionais e do incentivo para que as participantes se tornem lideranças comunitárias. Nosso objetivo é democratizar o acesso à Cultura Digital e fortalecer mulheres como agentes de transformação social, tanto no meio digital quanto em seus territórios políticos e comunitários.
ON Jornal - De que forma a iniciativa atua para capacitar mulheres no setor de tecnologia, considerando tanto a formação técnica quanto o incentivo ao ativismo e à liderança?
Evelyn Gomes - A visão pedagógica do Mulheres de Rede parte da educação popular, usando uma linguagem simples e acessível para que o aprendizado faça sentido na vida de cada participante. Mais do que transmitir conteúdos técnicos, o projeto cria um espaço de troca entre professoras e alunas, onde todas aprendem juntas e compartilham experiências.
Ao trazer para a sala de aula temas digitais que historicamente foram vistos como difíceis e excludentes, tratamos essas questões de forma prática e próxima da realidade.
Além disso, os temas das aulas apresentam um conjunto de saberes que tratam os aspectos técnicos a partir dos saberes políticos, sociais e comunitários que se relacionam com eles, dando sentido prático e social às ferramentas tecnológicas. Dessa forma, as ferramentas deixam de ser apenas técnicas e passam a ganhar significado político, social e comunitário, fortalecendo as mulheres como lideranças e ativistas em seus territórios.
ON Jornal - Como o projeto tem buscado aproximar mulheres das oportunidades de pesquisa e produção tecnológica em um cenário ainda marcado pela desigualdade de gênero?
Evelyn Gomes - Para além dos conhecimentos apresentados nas formações, existem outros dois caminhos de ação. O primeiro é o próprio encorajamento a essa ocupação dos espaços de pesquisa e produção, ao apontar outras mulheres como referência e também as desigualdades, oferecendo elementos para a elaboração sobre os motivos pelo qual elas se distanciam destes debates e espaços. O segundo é oferecer também uma rede, composta por outras mulheres que já trilharam o mesmo caminho, realizaram os mesmos aprendizados e lidaram com as mesmas inseguranças e insatisfações. Elas não estão mais sozinhas nos sonhos, nem nas realizações.
ON Jornal - Existem parcerias com empresas, universidades ou instituições públicas para ampliar o alcance e a efetividade das ações?
Evelyn Gomes - As parcerias são com o Ministério das Mulheres via edital federal e as deputadas Denise Pessoa e Ana Paula que apoiaram por meio de emendas parlamentares viabilizaram o início do projeto. Para ampliá-lo e aprofundá-lo em muitos aspectos, estamos costurando novas parcerias com outros setores que em breve serão apresentadas.
ON Jornal - Quais desafios vocês têm encontrado na mobilização e no engajamento das participantes e como o projeto tem lidado com essas barreiras?
Evelyn Gomes - Uma das barreiras é a de fazer o convite chegar às mulheres interessadas, pois sabemos que hoje uma articulação e comunicação orgânica é limitada pelas ferramentas de rede social que atrelam alcance com pagamento de anúncios. Outra é essa barreira de encorajar mulheres que não se imaginavam numa formação sobre tecnologia a participarem, mas temos conseguido muita diversidade de áreas do conhecimento, nível de letramento digital e idade, por exemplo, o que nos tem deixado muito animadas.
ON Jornal - Na sua visão, qual é o impacto social esperado a médio e longo prazo com a consolidação do “Mulheres de Rede” e a inserção dessas mulheres no ecossistema tecnológico?
Evelyn Gomes - Em última instância (longo prazo) o que queremos é uma reinvenção tecnológica promovida por mulheres. Nós sabemos que as tecnologias seguem padrões estruturais de opressão e a mudança desse cenário não será realizada por corpos que não se preocupam com essa desigualdade.
A médio prazo, queremos ver experimentações organizacionais, coletivas, que apontem o que são capazes de fazer as mulheres quando estão projetando mundos mais justos e cuidados pelo digital. E ver esse assunto nas mesas de almoços de família, de encontros sociais, de eventos acadêmicos e políticos.
Neste mundo em que o digital é um pilar central, o digital deve estar presente nas mais diversas agendas e espaços, sair do enclausuramento de um grupo técnico que é o único capaz de opinar e realizar.
Sobre o LabHacker LabHacker
Laboratório Brasileiro de Cultura Digital é uma pessoa jurídica de direito privado, constituída sob a forma de associação de fins não lucrativos, formalmente criada em 2008, para desenvolver e apoiar projetos e políticas públicas de Cultura Digital, comprometidas com o desenvolvimento das potencialidades humanas - ao compreender os desafios e possibilidades da revolução digital.
Este é um projeto do Laboratório Brasileiro de Cultura Digital, @labhacker, com apoio do Ministério das Mulheres, Governo Federal, Via Edital de Chamada Pública 02/2024 - Processo Administrativo nº 21260.201733/2024-54. Saiba mais em: https://www.instagram.com/labhacker/ Contato: prodexecutiva.mulheresderede@gmail.com Conheça o projeto: https://www.instagram.com/mulheresderede/
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