Especialistas explicam por que as baixas temperaturas sobrecarregam o coração e aumentam o risco de infarto e AVC, especialmente entre pessoas com doenças crônicas. As baixas temperaturas do inverno não aumentam apenas a incidência de doenças respiratórias. Elas também estão associadas ao crescimento dos casos de infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC). Segundo dados do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), as ocorrências de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) podem subir até 30% nos meses mais frios, enquanto os casos de AVC aumentam cerca de 20%, especialmente quando a temperatura fica abaixo dos 14°C.
Segundo o Dr. Murilo Meneses, médico e professor da pós-graduação em Cardiologia da Afya Goiânia, o principal motivo está na resposta natural do organismo ao frio. Para preservar a temperatura corporal, ocorre a vasoconstrição, um estreitamento dos vasos sanguíneos que aumenta a resistência à passagem do sangue e eleva a pressão arterial. "Quando somos expostos ao frio, o organismo ativa mecanismos para preservar a temperatura corporal. Um dos principais é a vasoconstrição, que faz com que o sangue encontre mais resistência para circular e aumente a pressão arterial. Além disso, o frio ativa o sistema nervoso simpático, elevando a liberação de adrenalina, a frequência cardíaca e a demanda de oxigênio pelo coração. Esse conjunto de alterações ajuda a explicar por que o inverno está associado ao aumento dos eventos cardiovasculares, especialmente em pessoas que já apresentam fatores de risco, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado e doença cardiovascular", explica o cardiologista.
Além das alterações provocadas pelo frio, mudanças de comportamento típicas dessa época do ano também contribuem para o aumento do risco. A redução da prática de atividades físicas, a maior ingestão de alimentos ricos em gordura e sódio e o consumo insuficiente de água favorecem a descompensação de doenças cardiovasculares e metabólicas. Para o especialista, pessoas saudáveis costumam tolerar bem essas adaptações fisiológicas. No entanto, em indivíduos com placas de gordura nas artérias coronárias, o aumento da carga de trabalho do coração pode representar um risco importante.
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