sexta, 16 de outubro de 2026
02/10/2026   16:40h - Pesquisa

Estudo identifica padrões oceânicos que podem prever calor extremo na Amazônia

Um estudo científico publicado na revista Earth’s Future, com a participação de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e de universidades australianas, revelou que padrões de variabilidade climática nos oceanos Pacífico e Atlântico podem sinalizar eventos de calor extremo na Amazônia com até sete meses de antecedência. A pesquisa analisou dados históricos de temperatura e precipitação entre 1950 e 2023, dividindo a Bacia Amazônica em seis regiões climáticas. Utilizando estatística e aprendizado de máquina, os cientistas mapearam como a atuação conjunta do fenômeno El Niño e do aquecimento dos oceanos Atlântico Norte e Sul afeta a ocorrência de temperaturas elevadas e estiagens severas.

 

No período de março a maio, os extremos térmicos em grande parte do território amazônico associaram-se a condições oceânicas observadas até sete meses antes. Já entre setembro e novembro, as ondas de calor estiveram vinculadas ao aquecimento prévio do Atlântico Norte tropical, enquanto de dezembro a fevereiro o aumento das temperaturas sofreu influência direta do Atlântico Sul. Os pesquisadores ressaltam que esses sinais precursores representam um avanço na previsibilidade climática, permitindo antecipar o monitoramento de episódios compostos de seca e calor.

 

Embora os autores reforcem que os achados representam o potencial metodológico e não um sistema operacional de previsão em tempo real, o estudo pavimenta o caminho para a criação de alertas precoces que auxiliem gestores públicos no combate aos impactos das mudanças climáticas na Pan-Amazônia. 

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