sábado, 17 de outubro de 2026
11/10/2026   09:40h - Cães & Gatos

Espécie gato-mourisco está ameaçada devido à baixa população nas Américas

Foto: ZOO

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) alterou a classificação global do gato-mourisco (Herpailurus yagouaroundi), também conhecido como jaguarundi, elevando seu status de risco do nível de "pouco preocupante" para "quase ameaçado". Coordenada pelo pesquisador brasileiro Tadeu de Oliveira, copresidente do Grupo de Especialistas em Felinos da IUCN, a nova estimativa calcula uma população mundial de cerca de 13 mil indivíduos adultos. Apesar de possuir uma ampla distribuição geográfica, do México à Argentina, o felino registra densidades populacionais expressivamente baixas em grande parte das regiões onde habita, configurando-se como uma das espécies menos abundantes do continente.

 

Com corpo alongado, patas curtas e feições que remetem a uma lontra, o gato-mourisco apresenta hábitos predominantemente diurnos, o que costuma gerar uma falsa impressão de abundância devido aos eventuais encontros com humanos. Contudo, dados compilados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) indicam índices alarmantes de escassez no território nacional. Em biomas como a Mata Atlântica, Caatinga e Amazônia, a presença do animal é tímida, registrando-se em áreas do estado de São Paulo densidades inferiores a um indivíduo por quilômetro quadrado. No Brasil, o felino já era tratado sob o status de "vulnerável à extinção", uma categoria de ameaça mais rigorosa do que o patamar internacional recém-adotado.

 

A sobrevivência da espécie enfrenta severos obstáculos associados à degradação ambiental e à interferência humana. A contínua perda e fragmentação dos habitats florestais, somadas aos atropelamentos recorrentes em rodovias pavimentadas, à caça retaliatória por ataques a criações domésticas e à contaminação por patógenos transmitidos por cães e gatos de rua, pressionam as populações remanescentes. Especialistas destacam a urgência de aprofundar pesquisas de campo e implementar corredores ecológicos eficientes para proteger o felino e evitar o colapso genético de suas comunidades silvestres.

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