A liberação de público, mesmo que restrito, para a final da Copa América entre Brasil e Argentina, que acontece neste sábado (10), no Maracanã, em meio à pandemia de Covid-19 com mais de 530 mil mortos foi condenada por especialistas da Saúde. Segundo os profissionais, a medida ameaça a questão sanitária neste momento, com a preocupação de uma noca cepa, a Delta Indiana.
O infectologista José Ribamar Branco, Fundador do Instituto Brasileiro da Segurança do Paciente, afirma que os números de mortos pela pandemia no Brasil não permitem uma ação que pode provocar a aglomeração de pessoas, mesmo que seja 6.500 num estádio para 65 mil. “Estamos estabilizando num patamar muito alto de óbitos.
O número de mortes diárias em São Paulo, por exemplo, aumentou cinco vezes em relação a outubro do ano passado”, comentou. Branco disse que entende a pressão econômica e esportiva de uma final envolvendo Brasil e Argentina, mas comentou que num período crítico como o atual, o gestor precisa optar por alternativas que favoreçam a população. “Temos a variante Delta do vírus, que já circula no Brasil. E os jovens são os maiores disseminadores dela. Eles contraem a doença e depois vão para casa.
O resultado de uma aglomeração é que o número de mortes pode explodir e até colapsar o sistema. Podemos ter hospitais lotados e pessoas morrendo por falta de atendimento.” O Brasil já viveu situações parecidas em outros momentos da pandemia, em pancadões nas metrópoles, férias em praias ou em cidades turísticas.
Para o pneumologista Arthur Feltrin essa liberação, além de inadequada, é preocupante em todos os sentidos. “Sabemos que o futebol é uma das maiores paixões do brasileiro, mas isso não justifica liberar. Essa decisão vai na contramão do que o Comitê Olímpico Internacional (COI) vem fazendo, por exemplo. O órgão proibiu o público nos Jogos de Tóquio e por aqui acontece justamente o contrário”, comparou.
Copyright © 2021-2026. Onjornal - Todos os direitos reservados.