Especialistas em gestão costeira e oceanógrafos manifestam preocupação com o avanço de intervenções rígidas no litoral brasileiro, como o alargamento de faixas de areia e a construção de enrocamentos. Embora busquem conter a erosão e ampliar o turismo, essas obras podem desequilibrar a dinâmica natural de sedimentos. Sem estudos profundos, o sedimento "novo" pode ser levado pelo mar, transferindo o problema da erosão para praias vizinhas e soterrando recifes de corais.
Os impactos estendem-se à biodiversidade, afetando diretamente a fauna marinha. A areia utilizada nos aterros, muitas vezes retirada do fundo do mar, possui características diferentes da original, o que dificulta a desova de tartarugas e prejudica pequenos organismos que servem de alimento para aves e peixes. Além disso, diante da crise climática e da elevação do nível do mar, intervenções que ignoram barreiras naturais tendem a ser destruídas rapidamente, gerando gastos constantes com manutenção.
Como alternativa sustentável, ambientalistas defendem o "gerenciamento costeiro baseado na natureza", priorizando a recuperação de restingas e a preservação de dunas. O foco deve ser a criação de áreas de amortecimento que respeitem os limites impostos pelo oceano, em vez de tentar "vencer" o mar com concreto.
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