A vacinação de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), já é realidade no Amazonas e em outros estados do Brasil. O grupo, acima de 18 anos, foi incluído nos indivíduos prioritários de vacinação contra a covid-19. Apesar disso, ainda resta dúvidas sobre como autistas podem comprovar que são do grupo prioritário.
Ao ON Jornal, a analista do comportamento, com especialidade em autismo, Michelli Freitas, fala como autistas ou familiares podem comprovar que são do grupo de risco e que tipo de profissional pode atestar a condição.
Ela também dá dicas de como conversar e acalmar crianças autistas ou com atraso no desenvolvimento (como por exemplo, Síndrome de Down), que ficam agitadas para tomar injeção ou medicamentos. Confira
ON Jornal - Através de que documento um autista ou familiar pode atestar estar dentro do Espectro?
Michelli Freitas- Os documentos que comprovam o autismo são os laudos médicos e ou psicológicos, bem como as carteirinhas de identificação ou algum indicativo inserido na carteira de identidade.
ON Jornal - Qual profissional pode dar o diagnóstico de autismo?
Michelli Freitas- Médicos, neurologistas e ou psiquiatras. Para crianças, o neuropediatra e ou psiquiatra infantil, ou os psicólogos especialistas em autismo, apesar dos diagnósticos psicológicos serem muito contestados e incomuns na prática.
ON Jornal - Quais os sintomas ou comportamentos de "autistas de grau leve"? Como saber se a criança ou adulto está dentro do Espectro?
Michelli Freitas- Os sintomas que muitas vezes são tidos como os mais leves se referem à interação social, muitas das vezes são aqueles autistas que não tem atrasos praticamente na linguagem, mas que tem um uso da linguagem diferente, muitas vezes com dificuldade na interação com o outro. É aquela pessoa que vemos que pode ter algo diferente com ela, mas não sabemos dizer exatamente o quê.
ON Jornal – A pessoa com autismo ou atraso no desenvolvimento tem resistência para tomar medicamentos ou vacina?
Michelli Freitas- Podem ter, mas não é regra. Muitas vezes acabam estando mais suscetíveis a terem alguma resistência por alguns motivos, como por exemplo: podem ter uma sensibilidade sensorial muito intensa e por isso podem ter uma resistência ao toque.
Com isso, eles têm uma sensibilidade a tomar medicamentos, fazer exames ou tomar vacinas. A própria dificuldade e atrasos na linguagem e na comunicação também podem suscitar uma dificuldade em lidar com estas situações, gerar uma insegurança, um medo, até mesmo pela dificuldade em entender o que está se passando.
ON Jornal - Como deixar o autista mais calmo antes da vacinação? Dicas para mães ou pais fazerem desde de casa.
Michelli Freitas- Fazer uma história social mostrando o passo a passo da vacinação desde a saída de casa, até a volta para a casa. Mostrar exatamente como ocorrerá a vacinação, ou seja, o que acontece, como acontece, tudo de uma maneira visual. Dar previsibilidade à criança avisando antes, também é uma boa estratégia, só tomar cuidado para não avisar antes demais e não causar ansiedade.
De 1 a 2 dias são suficientes, mas respeitar as características e necessidades de cada criança. Buscar também junto com esse momento da vacina, colocar no momento algo que a criança goste, por exemplo assistir um vídeo, logo após a vacina ou fornecer algo ou uma situação que a criança goste muito para colocar essa situação que pode ser aversiva junto com algo que seja agradável.
ON Jornal - Que orientação você dá para profissionais da saúde ao lidar com pessoas autistas ou com atraso no desenvolvimento na hora da vacinação ou outro procedimento que seja invasivo?
Michelli Freitas- Primeiro buscar conhecer sobre autismo, pois isso nem sempre ocorre. Agir com calma. Se fosse possível vacinar outras pessoas e a criança ver esse processo é uma alternativa de mostrar para a criança autista como é e assim, trazer tranquilidade à criança.
Conversar com ela, dar atenção, mas sem falar demais, lembrando que muitas crianças autistas têm grandes atrasos na linguagem. Um local calmo e tranquilo, sem barulho e muitas pessoas também é muito importante. Se possível, vacinar em domicílio pode ser um grande aliado para as crianças.
Acontece muito em crianças típicas o responsável as vezes segurar com força a criança para ser vacinada ou durante um exame por exemplo. Episódios assim traumáticos podem acarretar adversidades na vida de uma criança autista ou com atraso no desenvolvimento?
Com certeza segurar não é a melhor opção, e todos os esforços devem ser feitos para que isso não ocorra. Todas as estratégias citadas aqui, e outras devem ser tentadas, e o segurar ser apenas o último dos últimos dos últimos dos recursos.
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