Uma equipe internacional de cientistas se propôs a realizar uma verdadeira “missão impossível” na Antártida: estabelecer um conjunto inicial de dados que permita fazer o levantamento da vida fotossintética no continente gelado, ou seja, um mapa da vegetação terrestre. A tarefa foi feita combinando dados de satélite com medições de campo.
O estudo, publicado recentemente na revista Nature Geoscience, focou inicialmente em musgos e líquens, as duas plantas nativas da região. No entanto, os autores acabaram por descobrir a “invasão” de 100 espécies inéditas, e também a ocupação de áreas glaciais até agora desconhecidas.
A explicação dessas condições aparentemente mais habitáveis, diz a equipe, é que, assim como no resto do planeta, também na Antártida a vida está mudando. Essas novas sementes têm crescido graças a água proveniente do derretimento das geleiras, um processo causado pelo aumento das temperaturas globais, que têm também o seu lado sinistro: a potencial elevação do nível dos mares em até cinco metros.
Além do trabalho de monitoração local das espécies vegetais, a pesquisa vai além e revela aspectos até então desconhecidos do impacto das mudanças climáticas no planeta. Monitorar isso na Antártida pode fornecer pistas sobre como ecossistemas frágeis, como os do Ártico, que tem vegetação parecida, poderiam responder às ameaças do aquecimento global.
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