A grave crise de abastecimento que atinge a Bolívia tem provocado reflexos diretos na economia de fronteira do Mato Grosso do Sul. Moradores e trabalhadores de cidades bolivianas limítrofes, como Puerto Quijarro, passaram a cruzar a divisa para abastecer seus veículos em postos de combustíveis situados em Corumbá. O aumento expressivo na demanda de motoristas estrangeiros impulsionou o volume de vendas dos estabelecimentos locais em cerca de 40%, sem que houvesse desabastecimento no lado brasileiro até o momento.
A procura nos postos brasileiros envolve desde carros de passeio e vans de transporte passageiro, que buscam predominantemente gasolina, até frotas de caminhões bolivianos focadas no abastecimento de diesel. Do outro lado da fronteira, condutores chegam a enfrentar dias de espera em filas quilométricas às margens das rodovias, recorrendo inclusive ao transporte de combustível em galões. A escassez generalizada é reflexo de entraves no transporte rodoviário realizado por caminhões-tanque, afetando a logística de distribuição da estatal YPFB em departamentos como Santa Cruz.
Embora a petroleira boliviana YPFB tenha formalizado acordos com os transportadores para a retomada gradual do fornecimento, a busca por estabilidade imediata continua a direcionar o fluxo de consumidores para os postos brasileiros. Para o mercado regional do centro-oeste, a movimentação atípica fortalece pontualmente o faturamento do setor revendedor de combustíveis, enquanto autoridades e órgãos reguladores acompanham a dinâmica de estoque e a segurança no tráfego internacional de veículos na faixa de fronteira.
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