quinta, 23 de abril de 2026
07/02/2026   13:00h - Mundo

Escassez de combustível aprofunda crise em Cuba e governo pede sacrifícios à população

A escassez de combustível em Cuba tem imposto uma rotina cada vez mais dura à população. Em Havana, o taxista Andy passou a dedicar um dia inteiro da semana para enfrentar filas de até 15 horas — e, em uma ocasião, 26 horas — para comprar apenas 40 litros de gasolina em postos estatais, agora vendidos exclusivamente em dólares. A limitação, imposta recentemente pelo governo, tornou-se símbolo da gravidade da crise energética que afeta a ilha desde dezembro, quando o país deixou de receber combustível.

 

Em meio ao agravamento da situação, o presidente Miguel Díaz-Canel Bermúdez realizou uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira, na qual afirmou que Cuba está disposta a dialogar com os Estados Unidos, embora tenha responsabilizado o “estrangulamento econômico” imposto por Washington pelo colapso atual. O chefe de Estado voltou a pedir “sacrifícios” e “criatividade” aos cubanos, reconheceu a necessidade de racionar o consumo interno de energia e indicou possíveis ajustes na distribuição de produtos da cesta básica, sem detalhar as medidas.

 

O clima de incerteza se espalhou rapidamente. Após o discurso, a Universidade de Havana anunciou medidas de contingência, como a redução de aulas presenciais e de eventos acadêmicos. Para estudantes e trabalhadores, o sentimento predominante é de apreensão. “Parece apocalíptico”, resumiu uma universitária que preferiu não se identificar. Entre apagões, falta de combustível, escassez de medicamentos e deterioração das condições de vida, cresce o temor de que os anúncios oficiais sejam apenas o prenúncio de um cenário ainda mais difícil para a população cubana.

Copyright © 2021-2026. Onjornal - Todos os direitos reservados.