O Equador vem aprofundando a militarização da segurança pública sob constantes estados de exceção decretados pelo presidente Daniel Noboa, suspendendo direitos constitucionais e concedendo imunidade penal a agentes estatais e estrangeiros envolvidos na repressão. Especialistas e comitês da ONU denunciam que a medida, além de não conter as gangues, resultou em denúncias de abusos graves, como o desaparecimento forçado de dezenas de cidadãos.
A escalada autoritária também sufoca o cenário político e social do país, com o principal partido de oposição, o Revolução Cidadã, suspenso das eleições municipais de novembro de 2026. Lideranças indígenas e sindicais denunciam perseguição e o congelamento de suas contas bancárias enquanto tentam dar início ao processo de revogação do mandato presidencial. A tensão aumentou após a perícia confirmar o assassinato da ativista anticorrupção Monika Silva Koniuszek, que havia sido inicialmente tratado pelo governo como suicídio.
Adotando uma agenda de segurança espelhada em El Salvador, o governo equatoriano classifica gangues como terroristas e inaugurou megaprisões, mas enfrenta resultados opostos: 2025 foi o ano mais violento da história do Equador, registrando mais de 9 mil homicídios e o fortalecimento das facções. Em meio às críticas internas, Noboa assinou nesta semana um novo acordo de cooperação militar e de inteligência com os Estados Unidos voltado para o controle de fronteiras.
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