quinta, 23 de abril de 2026
18/09/2021   08:05h - Entrevistas

Entrevista com Sinésio Campos, deputado estadual (PT-AM) deputado estadual (PT-AM)

 

Filho de Santarém (PA), torcedor irremediável do Fluminense, acolhido pelo Amazonas aos 13 anos, professor de Filosofia, morador do bairro do São José, na zona leste de Manaus há 26 anos, o deputado estadual Sinésio Campos (PT) consolidou uma carreira como nome forte do Partido dos Trabalhadores. Com uma atuação focada no desenvolvimento da economia e na fiscalização da prestação dos serviços prestados à população do Amazonas, o parlamentar acalenta o sonho de ver o Estado se destacar também na mineração sustentável da Silvinita, do gás natural, da extração do Babaçu e da adoção de soluções logísticas que podem otimizar o Polo Industrial de Manaus (PIM).

 

 

Presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) para apurar irregularidades nos serviços da Amazonas Energia, Sinésio Campos conversou com exclusividade com o ON JORNAL e falou sobre sua atuação no parlamento, na entrevista a seguir:

 

 

ON JORNAL – Como o senhor transitou do magistério para a Política?

Sinésio Campos -  Eu sempre fui avesso à Política, sempre fui mais ligado aos movimentos sociais. Eu estava acompanhando o protesto que terminou no quebra-quebra dos cacarecos que eram chamados de ônibus, no bairro do São José Operário, na zona leste de Manaus (anos 1980).   Quando falavam de filiação política eu me afastava. Nunca fui dirigente sindical, presidente de comunidade, nunca fui nem dirigente de escola. Mas eu fui aos poucos sendo estimulado por um grupo de pessoas, na área da Educação, do movimento Sindical e social. Pessoas que eram do meu círculo de amigos e pensavam em ter representações distritais. Eles me procuravam para eu ser candidato pelos partidos de esquerda. Essas pessoas diziam: “Sinésio, a Política tem que ser feita com P maiúsculo. Se as pessoas de bem não ocuparam esse espaço na Política, as pessoas do mal irão ocupar”.

 

 

Eu acabei aceitando e fui me filiar no PT em 1991 e fui convidado a ser candidato. Na épica eu fui o candidato operacional – que  ajuda a eleger outros. Fui em 1992, candidato a vereador. Em 1994 fui candidato a Estadual, sempre defendendo as bandeiras de não sair do bairro, de ter gabinete popular, de buscar orçamento participativo. Em 1996 fui eleito vereador e, em1998, deputado estadual, sendo reeleito até hoje.

 

 

ON - E Por que o PT?

SC - Os amigos que me convidaram estavam nos movimentos simpáticos ao PT e eu acabei escolhendo por ser um partido plural. Uma coisa importante é que o PT é constituído por três segmentos fortes: Um sindical, um representado pelos intelectuais e um dos movimentos sociais. E eu também era na época das Comunidades Eclesiais de Base (Cebs).

Mas o que se destacou no PT e que eu sentia falta nas outras legendas e propostas políticas era a defesa da  fraternidade, que são as políticas sociais que eu continuo defendendo até hoje. Isso me fez inserir na Política.

 

 

ON -Uma de suas reivindicações são os cuidados para as pessoas com as sequelas da Covid-19. Pode detalhar esse projeto?

SC  -  O governo federal nega a Ciência, nega a vacina como instrumento de salvaguardar vidas e acabamos com quase 600 mil vidas perdidas no Brasil, sendo 15 mil mortos no Amazonas.

Enquanto isso, as pessoas perderam sua renda, seus entes queridos e isso afetou elas física e mentalmente. Algumas mergulharam nas drogas e outras buscaram o suicídio. O SUS (Sistema Único de Saúde) precisa fornecer atendimento psiquiátrico, fonoaudiólogo, fisioterapeuta e muitos outros, porque são muitas pessoas com sequelas da Covid-19. Por isso que chamo a proposta de Reabilita Amazonas, pois as sequelas são muitas.

 

 

ON – O senhor também conseguiu aprovar na Aleam a obrigação dos profissionais da Educação...

SC – Não só dos profissionais da Educação, mas também dos trabalhadores funerários. Quando eu perdi meu irmão na pandemia eu vi na pele como os coveiros estavam sofrendo e eles também estão na linha de frente da Saúde.

 

 

ON - O senhor conseguiu aprovar e é o presidente da CPI da Amazonas Energia. A CPI está suspensa por liminar. Ela ainda vai acontecer?

SC - Eu apresentei a CPI diante das irregularidades da concessionária Amazonas Energia que ocasionaram prejuízos econômicos e transtornos para a população da  capital e de vários municípios. Além disso, nós aprovamos dispositivos que proíbem o reajuste da tarifa de energia durante a pandemia, o que foi acolhido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas que não foi abolida pela concessionária e nós tivemos famílias com doentes em casa, sem direito a luz.  Esse foi  o fato para que a CPI fosse aprovada por 12 deputados e instalada, no dia 2 de agosto. No dia 4,  a Amazonas Energia entrou com recurso por meio de liminar e com isso interrompeu os trabalhos.

 

 

Já houve por parte da Procuradoria Jurídica da Aleam, a contestação com pedido de reapreciação urgente pelo TJAM da CPI. Assim que passar, nós vamos retomar o trabalho.

 

 

ON -  Falando de 2022, o PT já tem seu nome para o governo do Amazonas?

SC- Tudo está em fase de conversas. O que não vale é o isolamento do PT. Nosso foco é reforçar a presença nos Estados, nas assembleias legislativas e na reeleição do presidente Lula.

 

 

ON – O senhor está tranquilo com as eleições de 2012, após as ameaças contra a Democracia no 7 de setembro?

SC -  Você vê que essa questão do voto impresso foi criada para desviar o foco das mortes de Covid-19 e da CPI. É algo extremamente bizarro. Mas eu vejo que a eleição presidencial está polarizada entre Lula e Bolsonaro e dificilmente haverá uma terceira via...

 

 

Na verdade,  não é uma polarização entre Lula e Bolsonaro, mas  entre programas diferentes. Um é o programa do Bolsa Família, do Luz para Todos, do Minha Casa Minha Vida, da retomada da economia e o outro é isso que você está vendo: O povo penalizado e um projeto que em vez de comida no prato e vacina no braço, fomenta o fuzil e a milícia. São propostas muito distintas amplamente provadas pela população.

 

 

ON – Por qual projeto o Sr. gostaria de ser lembrado?

SC – Pela mineração sustentável ambientalmente correta que é a nova economia da Amazônia. Eu defendo a Silvinita. O Samuel Benchimol sempre dizia que Amazônia é o celeiro do mundo. A região é rica em potássio para produção de fertilizante que hoje nós importamos. Podíamos ser produtores, mas houve interesses outros alheios aos interesses da nação que emperraram esse projeto.

 

 

Imagine que há 250 milhões de anos aqui era um imenso mar, é muito sal que está aqui.

 

 

Além da Silvinita, nós quebramos o monopólio do gás no Amazonas com uma lei  de minha autoria e agora há outra empresa, além da Cigás, atuando no Estado, a Eneva.

 

 

Outra viabilidade é o babaçu que temos tanto quanto o Maranhão tem e é empregado para fins culinários, lubrificantes, cosméticos e tem potencial como biocombustível. Outra bandeira é a do caulim para a indústria de cerâmica.

 

 

Sou defensor  também do projeto Manta Manaus que liga a Zona Franca de Manaus ao Pacífico pelo porto de Manta no Equador. Eu fiz essa viagem e pude constatar. A navegação é possível até o Amazonas e custo e o tempo são reduzidos em relação a rota pelo canal do Panamá e descendo até São Paulo.

 

 

Eu gosto de citar uma frase que não é minha, mas das pessoas que olham eu defendendo essas propostas e dizem:  “O deputado Sinésio defende causas impossíveis”. Só que essas oportunidades estão diante dos nossos olhos e estão deixando passar. Às vezes é preciso defender o óbvio.

 

 

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